A gigante dinamarquesa Maersk, um dos maiores nomes do transporte marítimo global, firmou uma parceria com a empresa britânica Anemoi Marine Technologies para testar uma tecnologia que soa ao mesmo tempo futurista e ancestral: a propulsão a vento. A companhia instalará uma 'vela rotativa' em um de seus navios porta-contêineres para avaliar o potencial de redução no consumo de combustível e nas emissões de gases de efeito estufa.
O movimento não é um exercício de nostalgia, mas uma resposta pragmática a uma pressão crescente. O piloto, agendado para meados de 2027, é uma aposta calculada para encontrar soluções viáveis de descarbonização em um setor notoriamente poluente. A leitura é que, para cumprir as rigorosas metas ambientais, até mesmo as soluções mais heterodoxas estão sendo colocadas à prova.
Velas do século 21
Diferente das velas tradicionais, a tecnologia da Anemoi consiste em grandes cilindros verticais que giram para gerar empuxo. Conhecidos como rotores de Flettner, eles utilizam o Efeito Magnus — um princípio da física em que um corpo em rotação, movendo-se através de um fluxo de ar, gera uma força perpendicular ao vento. Quando essa força impulsiona o navio para a frente, a carga sobre os motores principais diminui. A Anemoi alega que o sistema pode gerar uma economia líquida de combustível e emissões de 9,1% em média, com picos de até 21% em certas viagens. O rotor a ser instalado no navio da Maersk terá 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro, uma estrutura de engenharia considerável.
A pressão por um mar limpo
Este teste é um sintoma direto da agenda regulatória imposta pela Organização Marítima Internacional (IMO). O setor de navegação precisa cortar suas emissões anuais de gases de efeito estufa em pelo menos 20% até 2030 e 70% até 2040, em comparação com os níveis de 2008, visando a neutralidade de carbono por volta de 2050. Ole Graa Jakobsen, diretor de tecnologia de frota da Maersk, afirmou que a propulsão assistida por vento é uma de “várias soluções marítimas promissoras”. A declaração sinaliza uma abordagem de portfólio: não há bala de prata, e a indústria precisa experimentar um conjunto de tecnologias para encontrar o caminho.
O projeto com a Anemoi, portanto, é menos sobre uma aposta única e mais sobre a construção de experiência prática. Para a Maersk e seus pares, entender o que funciona — e o que não funciona — no mundo real é o primeiro passo para navegar nas águas turbulentas da transição energética que se impõe sobre o comércio global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register




