A exposição "Double Vision", de Maia Ruth Lee, na Tina Kim Gallery, não promete a chegada da tradução, mas convida o espectador a vivenciar a própria condição de traduzir. Em um mundo onde a migração é uma experiência cada vez mais comum, Lee utiliza sua arte para desdobrar o ato de traduzir, transformando-o em um processo dinâmico de deslocamento e adaptação. Seus pais, tradutores da Bíblia que se mudaram para o Nepal e criaram um alfabeto para a língua Sherpa, servem como inspiração central para essa exploração.
A linguagem visual de Lee é construída a partir de motivos que evocam a migração, mas que, de forma engenhosa, também migram dentro da própria galeria. Padrões semelhantes a grades, reminiscentes das malas encontradas no aeroporto de Kathmandu, se misturam a glifos ilegíveis e imagens de arquivos familiares. Esses elementos, presentes em telas, látex e aço, não são estáticos; eles se transformam e se adaptam, assumindo novas formas e significados à medida que se movem pelo espaço expositivo. A artista demonstra como a tradução, em si, é uma forma de migração: alguns elementos são carregados para o novo contexto, enquanto outros são inevitavelmente deixados para trás.
O Intervalo como Condição
A obra de Maia Ruth Lee convida a um mergulho na ideia de "intervalo" – o espaço entre o ponto de partida e o de chegada, entre o original e a tradução. Em "Double Vision", esse intervalo não é um vazio a ser preenchido, mas um estado ativo, um lugar de constante negociação e redefinição. A artista demonstra isso através de suas séries, como a "B.B. Tetris" (2026), onde telas modulares empilhadas evocam uma certa leveza e até brincadeira. Em contrapartida, a peça "Expandable Luggage" (2026) exibe o peso e o esforço de uma migração mais árdua, com sua altura crescente sugerindo uma jornada penosa e prolongada.
Source · Hyperallergic





