O economista Marcelo Kayath, um dos nomes cogitados para liderar o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, apresentou uma visão crítica sobre a eficácia dos cortes de gastos como única solução para a saúde fiscal do Brasil. Em entrevista à CNN Brasil, Kayath defendeu que a "parada de arrumação", como ele chamou as medidas de contenção de despesas, é apenas uma etapa temporária para criar as condições necessárias ao crescimento econômico.

O Foco no Crescimento Sustentável

Segundo Kayath, o problema fiscal brasileiro não será solucionado apenas pela via do corte de gastos. Ele enfatizou que a verdadeira solução reside no crescimento econômico sustentável, projetando que, em um a três anos, o país poderia voltar a crescer entre 3% e 4% com as condições adequadas. Essa expansão econômica, na visão do economista, seria o caminho para uma solução mais permanente para os desafios fiscais. A analogia utilizada por ele foi a visita ao dentista: um processo desagradável, mas necessário para a saúde e, no longo prazo, para a prosperidade.

Preservação dos Programas Sociais

Um ponto central na argumentação de Kayath foi a necessidade de preservar os programas sociais, que não podem ser afetados durante qualquer ajuste fiscal. Ele ressaltou que, em um país marcado pela desigualdade como o Brasil, iniciar um ajuste econômico penalizando os mais pobres e necessitados seria inaceitável. Essa premissa se alinha a um debate mais amplo sobre a responsabilidade fiscal e a justiça social, especialmente em um cenário de eleições presidenciais onde a manutenção de programas como o Bolsa Família tem sido um tema de destaque.

Limitações e Questões em Aberto

Embora Kayath tenha defendido um ajuste fiscal cirúrgico e a priorização do crescimento, ele não detalhou as medidas específicas que seriam implementadas nem se haveria propostas concretas para a melhoria da gestão dos gastos públicos. A ausência de detalhes sobre como esse ajuste seria conduzido deixa em aberto questões importantes sobre a viabilidade e o impacto real de suas propostas. A própria declaração de que nunca conversou com Flávio Bolsonaro sobre cargos sugere que as discussões sobre a composição de um eventual ministério ainda estão em estágio inicial.

A Perspectiva do Futuro Fiscal

A análise de Kayath sugere um caminho que vai além da austeridade pura, buscando um equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e a necessidade de impulsionar o crescimento econômico. A ênfase na preservação dos programas sociais indica uma tentativa de conciliar políticas de bem-estar com a sustentabilidade das contas públicas. Contudo, a concretização dessas ideias dependerá de um plano detalhado e da capacidade de execução em um cenário político e econômico complexo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times