O influente senador americano Marco Rubio declarou em Mumbai que as negociações comerciais com a Índia estão em um estágio avançado, aproximando-se de um acordo. As conversas, que estiveram estagnadas por meses, visam resolver impasses sobre tarifas impostas pelos EUA e a aquisição indiana de petróleo russo. "Estamos muito, muito perto. Eu diria que estamos tão perto quanto se pode estar sem ter executado o acordo", afirmou Rubio a jornalistas, indicando que resta apenas um pequeno número de itens a serem finalizados.

As relações comerciais entre EUA e Índia foram marcadas por tensões significativas. Em agosto de 2025, os Estados Unidos impuseram tarifas de até 50% sobre a maioria dos bens indianos após o colapso das negociações. Posteriormente, sob um acordo-quadro de fevereiro, a taxa foi reduzida para 18%, mas o progresso estagnou. A ministra das Finanças indiana, Nirmala Sitharaman, descreveu as conversas como "plateaued", enquanto o Ministro do Comércio, Piyush Goyal, indicou que a primeira parte de um acordo estava em fase final.

A Índia busca que sua tarifa final seja comparável às de países concorrentes, como o Vietnã. Paralelamente, a compra de petróleo bruto russo pela Índia, especialmente após o início da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022, tem sido um ponto de atrito. O governo indiano, no entanto, defende a diversificação de seus fornecedores de energia, incluindo os EUA, para garantir a estabilidade do mercado e preços acessíveis.

Apesar das divergências comerciais, os laços em defesa e tecnologia entre os dois países continuam a se aprofundar. Washington vê a Índia como um contrapeso crucial à China na região Indo-Pacífico. A visita de Rubio à Índia, que incluiu um encontro trilateral com o Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos para discutir segurança energética regional e prioridades econômicas compartilhadas, reforça essa estratégia de cooperação.

Rubio tem demonstrado otimismo quanto à diversificação energética da Índia, reconhecendo, contudo, a dificuldade de uma transição abrupta de fornecedores de energia, como o petróleo russo. "Você tem países como a Índia, por exemplo, que diversificaram voluntariamente seu portfólio de energia, mas ainda recebem uma quantidade substancial de energia da Rússia porque é difícil mudar de um dia para o outro", disse ele. Ele também enfatizou a importância da Índia como "um aliado e parceiro importante dos Estados Unidos".

A agenda de Rubio na Índia inclui a visita a uma refinaria em Jamnagar, operada pela Reliance Industries do bilionário Mukesh Ambani, o maior complexo de refino do mundo. Esta visita sublinha o interesse americano em aprofundar a cooperação no setor energético, um pilar fundamental para a estabilidade econômica e a segurança global.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune