As ações de Melnick (MELK3) e Even (EVEN3) operam em queda nesta quinta-feira (15), um dia após ambas as incorporadoras divulgarem suas prévias operacionais do terceiro trimestre de 2026. A avaliação predominante entre analistas é de que os números apresentados vieram “fracos”, refletindo um cenário desafiador para o setor imobiliário, especialmente nos segmentos de média e alta renda. Por volta das 13h50 (de Brasília), os papéis MELK3 e EVEN3 recuavam 6% e 2%, respectivamente, em um dia também negativo para o mercado de renda variável. O indicador IMOB, que acompanha o desempenho das ações do setor imobiliário brasileiro, perdia 0,40% no mesmo horário.
O Cenário Desafiador para as Construtoras
O terceiro trimestre de 2026 se mostrou um período de dificuldades para as construtoras Melnick e Even, conforme indicam suas prévias operacionais. A Even, por exemplo, lançou projetos com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 590 milhões, uma queda considerável em relação aos R$ 1,45 bilhão do mesmo período de 2025. As vendas líquidas da companhia somaram R$ 268 milhões, sendo R$ 185 milhões referentes à participação da empresa, o que representa uma retração de 77% em relação ao ano anterior. A velocidade de comercialização, medida pelo índice de Venda Sobre Oferta (VSO), atingiu apenas 5%, contra 19% no 3T25. Os distratos também se mantiveram em patamares elevados, totalizando cerca de R$ 74 milhões.
Análise das Operações e Recomendações
Analistas do Bradesco BBI descreveram o trimestre da Even como “fraco”, destacando a forte dependência da venda de estoques, que compuseram 89% do total comercializado. A VSO consolidada de 5% evidenciou a dificuldade de comercialização, com distratos líquidos representando 24% das vendas brutas. O BTG Pactual também avaliou os resultados como negativos, apontando baixo desempenho tanto em lançamentos quanto em unidades em estoque. Apesar de negociar com múltiplos descontados (0,6x P/VP), ambos os bancos mantiveram recomendação neutra, citando o alto nível de estoques e o ritmo de crescimento de lucros que deve permanecer fraco.
Melnick: Pressão nas Vendas e Lançamentos
A Melnick, incorporadora gaúcha, também enfrentou um trimestre “fraco”. Suas vendas líquidas totalizaram R$ 91,2 milhões, abaixo dos R$ 147,4 milhões do 3T25. As vendas brutas caíram 33% anualmente, e os cancelamentos ficaram praticamente estáveis. Os lançamentos atribuíveis à companhia somaram R$ 23 milhões em VGV, uma redução de 81% em relação ao ano anterior. O BTG destacou a dificuldade na comercialização de estoques, com VSO de apenas 6% (ante 10% no ano anterior), embora espere uma retomada nos lançamentos no próximo trimestre. O Itaú BBA também apontou resultados operacionais ruins, com lançamentos abaixo do esperado e desaceleração no ritmo de vendas, que caiu de 7% no 2T26 para 6% no 3T26. A despeito de negociar com desconto (0,6x P/VP), a recomendação foi mantida em market perform (neutra).
Implicações e Perguntas em Aberto
Os resultados do 3T26 para Melnick e Even reforçam a percepção de um mercado imobiliário em compasso de espera, com dificuldades em absorver lançamentos e estoques, especialmente nos segmentos de maior valor agregado. A dependência de venda de unidades já construídas e a baixa velocidade de novos empreendimentos indicam que as empresas podem enfrentar pressão nos lucros no curto prazo. A expectativa de uma melhora nos lançamentos no próximo trimestre, como apontado pelo BTG para a Melnick, pode ser um ponto de atenção, mas a cautela com o cenário macroeconômico e as taxas de juros permanece.
O cenário atual levanta questões sobre a capacidade de as construtoras navegarem em um ambiente de demanda restrita e custos elevados. A performance futura dependerá da gestão de estoques, da capacidade de lançar projetos com forte apelo e, crucialmente, de uma melhora no ambiente econômico geral. A recomendação neutra predominante entre os analistas sugere que, embora haja potencial de valorização em múltiplos descontados, os catalisadores para uma recuperação significativa ainda não se materializaram.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





