A Metrovacesa, uma das principais incorporadoras imobiliárias da Espanha, projeta um futuro onde os centros de dados, especialmente aqueles voltados para a inteligência artificial (IA), se consolidam como um novo e lucrativo ativo no mercado. Jorge Pérez de Leza, CEO da companhia, destacou durante a segunda edição do AI Challenge da empresa que essas infraestruturas possuem uma capacidade intrínseca de gerar negócios na construção civil e atrair capital estrangeiro, fomentando um ecossistema que beneficia o desenvolvimento do setor imobiliário como um todo. A atração de pessoas e empregos para as regiões onde esses centros são instalados cria um ciclo virtuoso de crescimento.
O Novo Imóvel da Era Digital
A visão da Metrovacesa ressalta a importância estratégica dos centros de dados em um cenário geopolítico cada vez mais influenciado pela soberania digital. Pérez de Leza enfatizou a necessidade de que a informação gerada e processada nesses locais permaneça dentro de fronteiras seguras, como a Europa, para garantir o controle e a segurança dos dados. Essa perspectiva adiciona uma camada de complexidade e oportunidade ao mercado imobiliário, que precisa se adaptar para atender a essas demandas de infraestrutura de alta tecnologia. O desenvolvimento dessas instalações não se limita à construção, mas abrange a criação de um ambiente propício para a inovação e o crescimento econômico.
IA como Ferramenta de Eficiência e Inovação
O AI Challenge da Metrovacesa, que premiou projetos como Persuadis, Syte e Virtual Mike, visa justamente impulsionar a aplicação da IA no negócio promotor. Essas iniciativas, selecionadas entre dezenas de candidaturas, terão a oportunidade de desenvolver pilotos em processos reais da companhia. A IA, segundo Pérez de Leza, não apenas melhora a produtividade pessoal, mas também pode redefinir a divisão de tarefas entre humanos e máquinas, gerando um impacto estrutural real. No setor imobiliário, isso se traduz em maior eficiência financeira, criação de produtos aprimorados e, crucialmente, a redução do tempo de lançamento de projetos no mercado, o chamado ‘timing to market’.
Desafios e Oportunidades na Escala Empresarial
Julia Bernal, responsável pela Região Mediterrânea da Red Hat, corroborou a visão de Pérez de Leza, apontando que o uso eficaz da IA pode reduzir o ‘timing to market’ em até 40%, configurando uma vantagem competitiva substancial. Entretanto, Bernal alertou que, embora a adoção inicial da IA possa ser relativamente simples, escalar sua aplicação em nível empresarial apresenta desafios tecnológicos e organizacionais significativos. A integração da IA nos processos de negócio requer decisões estratégicas sobre infraestrutura, hardware, servidores de modelos e auditoria, tanto dos modelos quanto dos agentes de IA. O desafio maior reside em fazer com que essa eficiência se reflita diretamente na linha de resultados das empresas, e não apenas na produtividade individual. A regulamentação da IA, segundo ambos os executivos, é fundamental para que as empresas se sintam seguras para adotar essas novas tecnologias de forma organizada e confiável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





