A indústria automotiva espanhola, um pilar da economia com quase 10% do PIB nacional, enfrenta um cenário de profunda transformação. Nesse contexto, César Moñux, presidente e diretor-geral da Michelin Espanha e Portugal, delineou os elementos cruciais para a competitividade do setor. Em sua visão, a base de tudo reside no produto, seguido pela aplicação de tecnologia e, de forma central, pelo talento humano.
Moñux ressaltou que a Michelin possui na Espanha sua principal base industrial na Europa, um testemunho da relevância estratégica do país para o grupo. Ele enfatizou que o setor automotivo é um "enciclopédia da engenharia em movimento", tocando em múltiplos aspectos da cadeia de valor, desde a montadora até os fornecedores de componentes. A criação de valor, segundo o executivo, não se limita à linha de montagem, mas se estende por toda a rede de suprimentos.
O Produto como Ponto de Partida
A competitividade, para Moñux, é uma questão de sobrevivência: "produzir ou deixar de produzir, é ter futuro ou não". Ele argumenta que, para ingressar no eixo da inovação, é preciso considerar dois aspectos principais. O primeiro são os custos unitários — energia, mão de obra, investimentos e matéria-prima. O segundo, e fundamental, é que "toda competitividade começa por el producto". A qualidade e a inovação no produto são, portanto, o ponto de partida inegociável para qualquer empresa que almeje prosperar.
Tecnologia e Excelência Operacional
Após o produto, Moñux identifica a excelência operacional e os processos como eixos secundários, mas igualmente importantes. A otimização dos modos de trabalho e a adoção de novas tecnologias são vistas como ferramentas essenciais para aprimorar a eficiência e a capacidade de resposta do setor. A tecnologia, nesse sentido, não é um fim em si mesma, mas um meio para alcançar maior produtividade e qualidade, permitindo que as empresas se adaptem rapidamente às demandas de um mercado em constante mutação.
Talento: O Motor da Inovação
No entanto, o elemento que Moñux considera o mais vital é o talento humano. "Todo empieza y termina por las personas", afirmou, baseando-se em mais de três décadas de experiência em fábricas na Espanha, Brasil e França. Ele observou que são as pessoas que inovam, que buscam soluções para problemas complexos e que se comprometem com o sucesso da empresa. O sentimento de pertencimento e a identificação com os objetivos corporativos são determinantes para que os colaboradores se tornem agentes de mudança e impulsionadores da competitividade. O futuro do setor automotivo, segundo ele, depende intrinsecamente da capacidade de atrair, desenvolver e reter talentos.
Implicações para o Setor
A visão de Moñux sublinha a complexidade da cadeia de valor automotiva e a interdependência entre seus diversos elos. Para o ecossistema industrial espanhol, isso significa que a competitividade não pode ser buscada isoladamente. É necessário um esforço conjunto que envolva desde o desenvolvimento de produtos de ponta até a capacitação contínua da força de trabalho. A ênfase no talento sugere que investimentos em educação, treinamento e um ambiente de trabalho que fomente a inovação serão cada vez mais decisivos para a sustentabilidade e o crescimento do setor.
Perguntas em Aberto
Enquanto a Michelin e outros players do setor automotivo navegam por essa transição, permanecem questões importantes sobre como equilibrar os custos de produção com a necessidade de investimento em novas tecnologias e desenvolvimento de talentos. A capacidade de atrair e reter profissionais qualificados, especialmente em um contexto de escassez de mão de obra em algumas áreas, será um diferencial competitivo significativo. A forma como as empresas responderão a esses desafios definirá seu sucesso no futuro.
A competitividade na indústria automotiva, como destacou César Moñux, é um processo multifacetado. A Michelin, com sua forte presença industrial na Península Ibérica, parece ter clareza sobre os pilares que sustentam essa jornada: um produto robusto, o uso estratégico da tecnologia e, fundamentalmente, o valor insubstituível das pessoas. A forma como esses elementos se interligam e evoluem determinará o futuro do setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





