O interesse por hobbies e atividades de lazer, que havia diminuído após o pico da pandemia, mostra sinais de recuperação, especialmente entre os millennials mais velhos. Dados do Bank of America Institute indicam um aumento de 7,9% nos gastos com hobbies em agosto em comparação com o ano anterior, superando o crescimento geral das transações em cerca de 3,4%. Essa tendência sugere uma migração de volta para atividades de lazer mais acessíveis, após um período em que viagens e outras formas de entretenimento mais caras dominaram os gastos dos consumidores em 2022 e 2023.

O ressurgimento da cultura de hobbies

A cultura de hobbies, impulsionada por tendências online como o "grannycore", que valoriza habilidades artesanais e atividades tradicionais, está ganhando força. Geração Z e millennials documentam nas redes sociais seus envolvimentos com tricô, jardinagem, scrapbooking e costura. O relatório do BoA Institute aponta que os millennials mais velhos são os que mais gastam per capita em hobbies, uma característica atribuída à sua maior probabilidade de terem filhos pequenos, que muitas vezes participam dessas atividades. Boomers e Geração X também mostram um gasto significativo, enquanto a Geração Z, que gasta menos, parece estar optando por hobbies mais econômicos como artes e artesanato, em contraste com gastos anteriores em videogames.

O impacto da 'funflation'

Contudo, o aumento da popularidade dos hobbies vem acompanhado de um fenômeno que o BoA Institute apelidou de "funflation" – a inflação do custo da diversão. Lojas de artesanato, artigos para hobbies e varejistas de recreação ao ar livre estão elevando seus preços, fazendo com que o custo dessas atividades cresça a um ritmo mais acelerado do que o geral. Enquanto atividades como caminhadas, tricô ou jardinagem podem parecer mais baratas que uma viagem internacional, o custo para se dedicar a elas aumentou consideravelmente em relação a anos anteriores. Esse encarecimento pode representar um desafio para manter o acesso a esses passatempos, especialmente para aqueles com orçamentos mais apertados.

Implicações para o consumidor e o mercado

As implicações da "funflation" são variadas. Para os varejistas de hobbies, o aumento da demanda e dos preços pode significar maiores receitas. No entanto, para os consumidores, especialmente aqueles com rendimentos mais limitados ou cujos salários não acompanharam a inflação, o custo crescente pode forçar escolhas difíceis entre diferentes formas de lazer ou até mesmo a desistência de certas atividades. A desaceleração do crescimento salarial real e o aumento dos custos de combustível, que tornam as viagens menos acessíveis, já incentivam o retorno aos hobbies; contudo, o próprio encarecimento desses passatempos pode limitar essa migração. A Geração Z, por exemplo, que viu seus gastos com videogames aumentarem significativamente, pode ser particularmente afetada se os custos de seus hobbies preferidos continuarem a subir.

Perguntas em aberto

Resta saber se o atual ressurgimento dos hobbies será sustentável diante da "funflation". A capacidade dos consumidores de absorver os custos crescentes dependerá da evolução do crescimento salarial e da acessibilidade de outras formas de lazer. Será que os preços mais altos levarão a uma busca por alternativas ainda mais baratas ou a uma diminuição geral do envolvimento com hobbies? A dinâmica entre a demanda por diversão e o custo para satisfazê-la continuará a moldar o comportamento do consumidor nos próximos anos, exigindo uma adaptação tanto dos varejistas quanto dos próprios entusiastas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company