Os contratos futuros de minidólar (WDOV26) encerraram a sessão anterior com uma leve alta de 0,14%, cotados a 5.171 pontos, mas o movimento discreto esconde uma forte tensão. O mercado opera em modo de espera, aguardando o desfecho da "Superquarta", quando tanto o Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil quanto o Federal Reserve nos Estados Unidos anunciam suas decisões sobre as taxas de juros.

A calmaria precede a tempestade. Fatores domésticos, como dados de varejo mais fracos que o esperado e o ruído político envolvendo o STF e pesquisas eleitorais, adicionam camadas de incerteza. A leitura, segundo análise do InfoMoney, é que o ativo está tecnicamente indefinido, aguardando um gatilho fundamental para tomar uma direção clara.

O cabo de guerra macroeconômico

De um lado, a conjuntura interna pressiona o câmbio. A percepção de uma atividade econômica mais fraca reforça as apostas de um corte mais brando na taxa Selic, de 0,25 ponto percentual, o que teoricamente diminui a atratividade do real para capital estrangeiro. Somam-se a isso as incertezas políticas que tradicionalmente embutem um prêmio de risco na moeda brasileira.

Do outro lado, o cenário externo é igualmente determinante. A decisão do Fed tem o poder de ditar o fluxo de capital global. Uma postura mais dura da autoridade monetária americana para combater a inflação, que sofre pressões como a do petróleo Brent acima de US$ 108, tende a fortalecer o dólar globalmente, impactando diretamente o real. O mercado brasileiro, portanto, está no meio de um fogo cruzado entre as políticas monetárias de Brasília e Washington.

A batalha nos gráficos

Para os traders que se guiam pela análise técnica, o momento é de equilíbrio. O contrato de minidólar está "espremido" entre níveis importantes de preço. A análise gráfica mostra uma resistência relevante na faixa de 5.180 a 5.202 pontos. Um rompimento para cima poderia destravar um movimento de alta mais consistente.

Na direção oposta, a perda do suporte na região de 5.163 a 5.145 pontos poderia abrir caminho para uma nova onda de vendas. Indicadores como o Índice de Força Relativa (IFR) em zona neutra confirmam a ausência de uma tendência dominante. Isso sugere que os operadores estão aguardando os eventos macroeconômicos para posicionar suas apostas, com os níveis técnicos servindo como o campo de batalha onde a reação às notícias se materializará.

No fim do dia, a direção do minidólar será definida menos pelos padrões gráficos e mais pelo tom dos comunicados do Copom e do Fed. A questão que paira no ar não é se haverá volatilidade, mas para qual lado o mercado irá romper quando as decisões forem anunciadas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney