O Morgan Stanley soou um alarme para os investidores no Brasil. Em relatório recente, o banco de investimento projeta que o Ibovespa pode registrar uma queda de até 35% em dólar — ou 25% em reais — no cenário mais adverso após as eleições, caso o próximo governo não apresente um plano fiscal considerado crível pelo mercado. A análise foi divulgada a clientes e reportada pelo InfoMoney.
A tese central do banco é que o consenso de mercado está complacente, precificando um cenário benigno e subestimando o risco real de uma deterioração fiscal a partir de 2027. Para o Morgan Stanley, a combinação de crescimento fraco, inflação persistente e juros restritivos deixa pouca margem para ambiguidades na política econômica, podendo destravar um “ciclo não linear” de aversão a risco.
O Descolamento do Consenso
A principal divergência do Morgan Stanley com a visão predominante no mercado reside na avaliação do risco de cauda. Enquanto muitos esperam que o Brasil encontre uma saída gradual, o banco acredita que a ausência de um plano fiscal robusto pode desencadear uma espiral negativa: prêmios de risco mais altos, desvalorização do real, espaço limitado para o Banco Central cortar juros e, consequentemente, atividade econômica mais fraca.
O relatório traça dois caminhos distintos. Num cenário pessimista, o PIB cresceria apenas 0,2%, a Selic terminaria o ciclo em 15,5% e a dívida pública superaria 100% do PIB até 2033. Já no cenário otimista, que depende de um “choque de gradualismo” com um plano plurianual crível, o PIB avançaria 1,5%, a Selic poderia cair para 9,75% e a trajetória da dívida seria estabilizada.
Como Navegar o Risco
Diante dessa bifurcação, o posicionamento do banco é cauteloso. Em renda variável, a estratégia é estar “modestamente comprado” em Brasil, combinando empresas defensivas com receita em dólar, como Petrobras e Embraer, com nomes do setor financeiro que se beneficiariam de uma virada positiva, como XP, B3 e BTG. Empresas domésticas fora do setor bancário seriam as mais penalizadas no cenário adverso.
Em renda fixa, a visão é de que o mercado deve refletir os riscos de baixa de forma assimétrica, precificando o cenário negativo mais rapidamente que o positivo. A recomendação é apostar na alta das taxas de juros longas (pagando DI para 2031) em vez de operar vendido na moeda brasileira, dado que o alto diferencial de juros (carrego) oferece sustentação ao real no curto prazo.
A conclusão do banco é que, embora a execução fiscal seja gradual, a reprecificação dos ativos brasileiros não precisa ser. A divergência entre o que o mercado espera e o que a realidade fiscal pode entregar é o principal ponto de atenção para os próximos meses.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





