A gestora de ativos HSI concluiu a captação de R$ 437,5 milhões para um novo fundo de crédito estruturado com foco imobiliário, superando a meta inicial de R$ 350 milhões. A oferta do HSI Renda CDI Crédito Estruturado, coordenada pela XP, atraiu capital mesmo em um ambiente descrito como de maior restrição de liquidez no mercado.
O resultado, segundo reportagem do InfoMoney, valida a tese de que há demanda por produtos financeiros com características específicas: risco calculado, garantias robustas e, crucialmente, um ciclo de vida previsível. A captação permite à gestora originar operações na faixa de R$ 20 milhões a R$ 40 milhões, considerada o coração do mercado de crédito imobiliário de médio porte.
A anatomia do risco médio
A estratégia da HSI não é uma aposta genérica no setor imobiliário, mas uma alocação criteriosa em quatro frentes distintas. O fundo mira desde o financiamento à produção residencial até operações de home equity e crédito pulverizado, que consiste na antecipação de recebíveis de projetos já concluídos para diluir o risco. A quarta vertical envolve ativos prontos e locados, como shoppings e galpões, que geram receitas recorrentes.
Essa diversificação é a base da proposta de risco médio (middle risk), que busca um equilíbrio entre retorno e segurança. O pipeline inicial da oferta aponta para um spread ponderado de CDI + 4,5% ao ano. A HSI projeta entregar aos cotistas um retorno médio de CDI + 2,2% ao ano ao longo dos cinco anos de duração do fundo, apoiando-se em um histórico que, segundo a gestora, não registra eventos graves de inadimplência desde 2019.
O apelo do ciclo fechado
Além da tese de crédito, a estrutura do veículo de investimento parece ser um fator decisivo. Trata-se de um fundo “cetipado” — registrado no sistema da B3, mas não listado em bolsa para negociação diária — com prazo de cinco anos. Para Fernando Gadelho, managing director da HSI, esse modelo agrada por ter “começo, meio e fim”. O investidor sabe que o capital será captado, alocado e, ao final do prazo, devolvido.
Essa previsibilidade oferece um contraponto à volatilidade dos fundos listados, cujo valor das cotas flutua diariamente com o humor do mercado. A leitura é que, em um cenário de juros ainda elevados e incerteza econômica, a clareza sobre o horizonte de investimento e a descorrelação com o sobe e desce da bolsa se tornam atributos valiosos.
O sucesso da HSI, portanto, é menos sobre o volume absoluto e mais sobre o que ele sinaliza: há capital disponível para teses bem estruturadas que oferecem um perfil de risco-retorno transparente e um prazo definido. A questão que fica é se essa demanda é um nicho para gestoras com bom histórico ou o prenúncio de uma classe de ativos em expansão no mercado brasileiro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





