O governo do Reino Unido assumiu o controle da British Steel, em uma intervenção direta para, segundo o comunicado oficial, proteger o futuro da produção de aço no país. A decisão, que afeta principalmente a unidade de Scunthorpe, foi justificada como uma medida para salvaguardar milhares de empregos, projetos de infraestrutura e a segurança nacional.

A medida não é um ato isolado, mas o capítulo mais recente de uma reavaliação global sobre o papel do Estado na economia. Em um mundo pós-pandemia, marcado por tensões geopolíticas e a fragilidade das cadeias de suprimentos, a ideia de que indústrias estratégicas devem ser protegidas a qualquer custo ganha força, mesmo em nações historicamente liberais como o Reino Unido.

Soberania industrial em pauta

A intervenção na British Steel é a materialização de uma política industrial mais assertiva. Ela se insere no contexto da primeira "Estratégia do Aço" do país, lançada em março e que prevê investimentos de até 2,5 bilhões de libras. O objetivo declarado é ambicioso: garantir que metade do aço consumido no Reino Unido seja de produção doméstica. A leitura aqui é que a segurança econômica passa a ter um peso similar ao da eficiência de mercado.

Para viabilizar essa meta, o governo não aposta apenas em subsídios e controle. A ação é complementada por uma forte medida protecionista: um corte de 51% nas cotas de importação de aço isentas de tarifas. O recado é claro: não basta salvar a British Steel; é preciso reconfigurar as regras do jogo para que ela e outras siderúrgicas locais possam competir com players internacionais, especialmente os asiáticos.

O movimento britânico ecoa debates semelhantes em outras economias ocidentais, inclusive no Brasil, sobre qual o limite da intervenção para proteger setores considerados vitais. A linha que separa a busca por resiliência estratégica do protecionismo que mascara ineficiência é tênue. A experiência do Reino Unido com sua siderurgia estatal será um caso de estudo fundamental para entender os novos contornos da política industrial no século 21.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney