O Senado Federal deu luz verde ao Redata, um regime especial de tributação para data centers que agora segue para sanção presidencial. A medida, que zera impostos federais como IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação sobre equipamentos, é uma tentativa de atrair para o Brasil uma fatia da acirrada disputa global por infraestrutura de nuvem e inteligência artificial.

Para a Amazon Web Services (AWS), principal player do setor no país, a notícia é positiva, mas o otimismo é calculado. Em entrevista à Bloomberg Línea, a vice-presidente da AWS para a América Latina, Paula Bellizia, elogiou a iniciativa por colocar o país “no radar dos investimentos globais”, mas sinalizou que o cheque para novos projetos ainda não foi assinado. A leitura é que, embora o incentivo seja bem-vindo, a sua aplicação prática definirá o ritmo dos aportes.

Um incentivo necessário, mas não suficiente

O Redata representa uma renúncia fiscal estimada pelo governo em R$ 5,2 bilhões apenas em 2026. O objetivo é reduzir o custo de construção e operação de data centers, um dos mais altos da América Latina, segundo a própria reportagem. Para ter acesso ao benefício, as empresas precisam estar em dia com suas obrigações fiscais e utilizar energia de fontes renováveis — uma vantagem competitiva para a matriz energética brasileira.

Contudo, o regime especial resolve apenas uma parte da equação tributária. Ele lida com os impostos federais, mas a carga mais pesada e complexa, o ICMS, continua sendo uma barreira estadual. A negociação para uma redução no imposto sobre circulação de mercadorias está parada no Confaz, o conselho que reúne os secretários de Fazenda dos estados. Sem um alinhamento nesta frente, o Redata corre o risco de ser um passo importante, mas incompleto.

A aposta calculada da AWS

A postura da AWS reflete essa realidade. A companhia já tem um compromisso de US$ 5,6 bilhões anunciados para o Brasil e foi pioneira ao instalar no país, em 2011, sua primeira região de nuvem na América Latina. Bellizia evita atrelar novos anúncios imediatos à aprovação da lei, uma diplomacia corporativa que essencialmente coloca a bola no campo do governo para a próxima jogada: a regulamentação.

O pano de fundo é uma corrida global onde a capacidade de infraestrutura para IA já está comprometida até 2027 na AWS. O Brasil compete diretamente com outros mercados, como México e Chile, por esses investimentos. A aprovação do Redata é um sinal de que o país entendeu a urgência, mas a velocidade e a clareza da implementação ditarão se o capital global responderá à altura.

O movimento do Congresso é um ato de política industrial para a economia digital, reconhecendo data centers como infraestrutura crítica. A aprovação do Redata é o convite. Resta saber se as condições da festa serão atraentes o suficiente para os convidados mais disputados do mercado de tecnologia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Bloomberg Línea