A República Dominicana, um dos pesos-pesados do turismo caribenho, está fazendo uma aposta calculada para além de suas praias de areia branca e resorts all-inclusive. O país lançou em Miami a campanha internacional ‘Cabarete Surf & Wind City’, uma iniciativa para consolidar a cidade de Cabarete, na costa norte, como um dos principais destinos globais para a prática de surf, kitesurf e windsurf.
A ofensiva de marketing, que será veiculada nas Américas e na Europa, não é apenas um esforço promocional, mas um movimento estratégico. A leitura aqui é que o Ministério do Turismo dominicano busca se diferenciar em um mercado altamente competitivo, mirando um nicho de alto valor agregado: o turista de aventura e esportes, que tende a ter estadias mais longas e um engajamento mais profundo com a economia local.
A fuga do óbvio caribenho
Enquanto grande parte do Caribe compete no mesmo terreno de luxo e pacotes fechados, a República Dominicana aposta na especialização. A campanha foca em capitalizar ativos que já existem: as “condições naturais excepcionais” de Cabarete e uma “comunidade multicultural vibrante” que se formou organicamente em torno dos esportes aquáticos. Lugares como Playa Encuentro e Kite Beach já são conhecidos no circuito, mas a nova estratégia busca elevar seu status de pontos de nicho para uma marca de destino reconhecida globalmente.
O plano ressalta uma narrativa de “aventura, liberdade e conexão com o oceano”, segundo o material de divulgação. Trata-se de vender não apenas um local, mas um estilo de vida. Essa abordagem visa capturar um público que busca experiências ativas e autênticas, um contraponto direto ao turismo passivo de resorts. É um reconhecimento de que a infraestrutura turística moderna não se resume a hotéis, mas inclui também uma cena local forte, com escolas especializadas, gastronomia e bem-estar.
O modelo de nicho como motor econômico
Para o ministro do Turismo, David Collado, Cabarete é um “grande tesouro” que representa a capacidade do país de oferecer “experiências autênticas, ativas e diferenciadas”. Essa declaração, reportada pela Forbes España, encapsula a tese por trás da campanha: a diferenciação como motor de crescimento. Ao invés de competir por preço, o país compete por identidade.
O desenvolvimento de um hub de esportes aquáticos fomenta uma cadeia de valor local mais resiliente e diversificada. Gera demanda por instrutores, lojas de equipamento, serviços de reparo e uma hotelaria de pequeno e médio porte, criando um ecossistema econômico que vai além dos grandes conglomerados hoteleiros. É um modelo que pode inspirar outros destinos com ativos naturais específicos, incluindo o Brasil, que possui uma extensa costa com potencial similar, mas cuja promoção internacional ainda carece de uma estratégia tão focada e unificada.
O movimento da República Dominicana serve como um lembrete de que, no turismo pós-pandemia, a autenticidade e a especialização podem ser moedas mais valiosas do que o simples luxo massificado. A aposta é que o barulho das ondas atraia mais dólares do que o silêncio do ar-condicionado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





