A indústria espanhola que consome grandes volumes de energia enfrenta uma desvantagem estrutural severa frente a seus pares europeus. A conta de luz para um player eletrointensivo na Espanha é 55% mais cara que na França e 8% superior à da Alemanha, segundo dados recentes da Associação de Empresas com Gran Consumo de Energia (AEGE), reportados pela Forbes España. Em julho, o preço final atingiu € 83,1 por megawatt-hora (MWh) na Espanha, contra € 53,7 na França e € 76,8 na Alemanha.
Essa diferença não é fruto de uma simples flutuação de mercado, mas de um descompasso regulatório e político profundo. O "custo-Espanha" na energia elétrica expõe como políticas nacionais distintas dentro do mercado único europeu podem criar vencedores e perdedores, minando a competitividade de setores cruciais para a economia, como siderurgia, química e metalurgia.
A anatomia da desvantagem
A análise da AEGE disseca os componentes dessa disparidade. Dois fatores se destacam. Primeiro, as empresas espanholas arcam com custos de "serviços de ajuste do sistema" que não existem nos modelos francês e alemão, adicionando uma sobretaxa de mais de € 20/MWh à fatura. Trata-se de um encargo puramente regulatório que penaliza a produção local.
O segundo ponto é a política de subsídios. As compensações por custos indiretos de emissões de CO2 na Alemanha são substancialmente maiores. A indústria alemã recebe cerca de € 21/MWh a mais em benefícios do que a espanhola, cujos auxílios são limitados por restrições orçamentárias. Na prática, enquanto a Alemanha subsidia ativamente a competitividade de sua indústria pesada, a Espanha impõe um ônus duplo: energia mais cara e menos apoio estatal.
Para os setores eletrointensivos, onde a energia representa uma fatia massiva dos custos de produção, essa assimetria é insustentável a longo prazo. O caso espanhol serve como um estudo sobre o delicado equilíbrio entre financiar a transição energética, garantir a estabilidade da rede e proteger a base industrial. Quando as políticas falham em se alinhar, o resultado é uma perda de competitividade que nem mesmo o acesso a um mercado comum consegue compensar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España



