Concluído em 2019 para ancorar um novo distrito urbano em Hangzhou, na China, o Hangzhou Sports Center se tornou um estudo de caso sobre como repensar a arquitetura de megaestruturas esportivas. Projetado pelo estúdio americano NBBJ, o complexo, cujo estádio principal tem capacidade para 80.000 pessoas, foi concebido a partir de uma diretriz incomum para obras dessa escala: “torná-lo mais leve”.
O pedido do cliente, segundo uma reportagem da publicação de design e arquitetura Dezeen, era criar um marco para a nova cidade, mas que fosse “voltado para o futuro”. A resposta do NBBJ foi um projeto que não apenas se destaca visualmente com sua forma de flor de lótus, mas que desafia a lógica de monumentalidade que dominou a construção de estádios no início do século, como o Ninho de Pássaro de Pequim. A tese aqui é que a inovação não está no tamanho, mas na inteligência do design e na sua relação com o entorno.
A engenharia da leveza
O principal feito do projeto foi uma drástica redução no uso de materiais. O NBBJ afirma que o estádio de Hangzhou utilizou 67% menos aço que seu contemporâneo em Pequim, apesar de ter um volume interno maior. A solução estrutural foi conectar a casca de aço externa diretamente à bacia de concreto em todos os níveis, permitindo um balanço generoso sobre o campo com muito menos material de sustentação.
Para chegar a essa geometria complexa e eficiente, que evoca as pétalas de uma flor de lótus — símbolo da herança cultural da cidade —, a equipe usou ferramentas de design paramétrico, incluindo uma versão inicial do software Grasshopper. O resultado é uma estrutura que parece flutuar sobre a paisagem, em vez de dominá-la, cumprindo a missão de criar um ícone que é ao mesmo tempo poderoso e etéreo.
Do forte à praça aberta
Mais do que uma otimização de materiais, o design do estádio representa uma mudança de filosofia sobre o papel de uma arena na vida urbana. Em vez do modelo de “fortaleza”, com entradas restritas e longas caminhadas para acessá-lo, o NBBJ desenhou uma estrutura porosa. As “pétalas” de aço se afilam até o nível do solo, criando múltiplos pontos de entrada que convidam o público para dentro do complexo.
Essa abertura se estende por todo o masterplan. O estádio não é um objeto isolado; ele se conecta a um ecossistema de praças, quadras, lojas, um centro cultural e uma estação de metrô. Essa integração garante que a área permaneça viva e funcional mesmo em dias sem eventos, um desafio crônico para arenas ao redor do mundo, inclusive para muitas das construídas no Brasil para a Copa de 2014. A arquitetura aqui serve como um catalisador para a vida comunitária, não apenas como um palco para o espetáculo.
Embora o Hangzhou Sports Center seja um exemplo de como fazer mais com menos, a lição pode não ter se tornado a norma. Jonathan Ward, sócio de design do NBBJ, expressou à Dezeen o receio de que a indústria esqueça rapidamente essas lições sobre eficiência de materiais, dependendo das prioridades do cliente. A questão que permanece no ar é se o futuro das grandes arenas será guiado pela busca por sustentabilidade e integração ou se a corrida por impacto visual continuará a justificar o excesso.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





