O Grupo YAMAM, uma empresa brasileira de engenharia e projetos industriais, alcançou uma drástica redução de 94% na taxa de cliques em e-mails de phishing entre seus colaboradores. O resultado veio após a implementação de um programa contínuo de conscientização em cibersegurança, que fez o índice de cliques em ataques simulados cair de 24,6% para apenas 1,4% em um período de oito meses.

O caso, reportado pelo portal TIInside, ilustra uma verdade persistente no mundo da segurança digital: a tecnologia é necessária, mas insuficiente. O elo mais fraco da corrente segue sendo o fator humano. A estratégia da YAMAM, no entanto, demonstra que, com o investimento correto, os colaboradores podem ser transformados de principal vulnerabilidade no mais eficaz ativo de defesa.

O elo humano como ativo estratégico

Antes da iniciativa, a companhia enfrentava um desafio comum no ambiente corporativo: a dificuldade dos funcionários em identificar tentativas de golpe, especialmente aquelas que mimetizavam comunicações internas. A percepção de risco era baixa, tornando a empresa um alvo fácil para ataques que exploram o comportamento e a tomada de decisão.

Em parceria com a consultoria PIERSEC e a plataforma de treinamento Beephish, a YAMAM estruturou um programa que foi além de um treinamento pontual. Entre setembro de 2025 e maio de 2026, cerca de 80 colaboradores participaram de campanhas simuladas de phishing, ações de conscientização e monitoramento constante. Segundo Glauco Sampaio, CEO da Beephish, o projeto atacou a raiz do problema, já que “os ataques continuam explorando o comportamento humano (...) mais do que falhas técnicas”.

A metodologia, batizada de Fluxo Guardião pela PIERSEC, instituiu uma rotina de análise de indicadores e acompanhamento da maturidade em segurança. O resultado foi uma mudança cultural. “Hoje percebemos uma mudança clara no comportamento das pessoas. Os colaboradores estão mais atentos, questionam situações suspeitas”, afirmou Maurício Tavares, gestor de TI do Grupo YAMAM, em depoimento à publicação.

O caso da YAMAM serve como um manual prático para outras companhias, especialmente em setores tradicionais, que ainda concentram seus orçamentos de segurança majoritariamente em ferramentas. A lição é que investir na capacitação do “firewall humano” não é um custo, mas um movimento estratégico que gera resiliência. O desafio, agora, é garantir que essa nova cultura de vigilância se mantenha permanentemente ativa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside