Após 26 anos, um fato relevante de cinco linhas encerrou uma era na CSN. Benjamin Steinbruch, o controlador que por décadas conduziu a siderúrgica com "punhos de ferro", deixou o cargo de CEO para assumir a presidência do conselho de administração. Em seu lugar, entra Fabio Schvartsman, executivo com passagens pela Klabin e, mais notavelmente, pela Vale. A reação do mercado foi imediata e eufórica, com as ações da companhia disparando.

A leitura dos investidores é clara: a troca representa uma aposta na governança e na disciplina de capital em detrimento do estilo centralizador e expansionista de Steinbruch. A chegada de Schvartsman é vista como um antídoto para uma gestão personalista que transformou a CSN em um conglomerado complexo, mas altamente endividado. O desafio, no entanto, é monumental.

O legado de Steinbruch

O estilo de Benjamin Steinbruch sempre testou os limites do mercado. Descrito como um executivo que "atirava primeiro, perguntava depois", ele transformou a antiga estatal em uma "empresa polvo", com tentáculos em mineração, cimentos, portos e ferrovias. O crescimento, contudo, veio a um custo elevado. A CSN encerrou o segundo trimestre com uma dívida líquida de aproximadamente R$ 42 bilhões e uma alavancagem de 3,49 vezes — o maior nível em cinco anos.

Essa herança financeira é o principal obstáculo para o novo CEO. A fome de crescimento de Steinbruch, que frequentemente ignorava as preocupações do mercado com o endividamento, deixou um balanço fragilizado. A mudança no comando foi recebida com alívio justamente por sinalizar uma potencial mudança de rota, de uma cultura de expansão a qualquer custo para uma de gestão financeira criteriosa.

O antídoto Schvartsman?

Fabio Schvartsman é percebido como o oposto de seu antecessor. Com um histórico de executivo profissional em empresas de controlador definido, como a Klabin, ele carrega a reputação de ser um gestor disciplinado, focado em operações saudáveis. Segundo a apuração, o mercado se tranquilizou pelo fato de Schvartsman não ser um especialista em reestruturação, o que afasta temores de uma medida drástica para lidar com a dívida.

A expectativa é que ele eleve o nível de profissionalização da CSN, tornando as decisões estratégicas menos dependentes da figura do controlador. Mesmo com sua passagem pela Vale interrompida pela tragédia de Brumadinho, sua experiência em negócios complexos de commodities é vista como um ativo crucial. Ele herda uma operação robusta, mas um balanço que exige atenção imediata.

O paradoxo é que, embora a mudança seja celebrada, Steinbruch não deixa a companhia. Como presidente do conselho e controlador, sua influência permanecerá. A ingenuidade seria acreditar em seu completo afastamento. A Schvartsman caberá a gestão do dia a dia e a execução, mas as grandes linhas estratégicas ainda passarão pelo crivo do fundador. O desafio será administrar não apenas os números, mas a complexa dinâmica de poder que definirá o futuro da CSN.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times