O Oceano Pacífico está operando como uma verdadeira incubadora de ciclones, com três sistemas de tempestade — os furacões Karina e Lowell, e a recém-formada tempestade Marie — ativos ao mesmo tempo. O fenômeno ocorre em meio a uma das mais rápidas transições climáticas já registradas, do resfriamento de La Niña para um aquecimento intenso de El Niño em apenas oito meses.
Segundo reportagem do portal espanhol Xataka, a atividade não é uma coincidência. A leitura é que a energia acumulada no oceano está alimentando diretamente essa sucessão de tempestades. O evento atual espelha o padrão de 2015, último ano de um El Niño de forte intensidade, sugerindo que estamos diante de um evento climático de grandes proporções, com o Climate Prediction Center dos EUA já o considerando um candidato a superar todos os registros desde 1950.
Uma transição em velocidade máxima
O que torna o cenário atual notável é a velocidade da mudança. Em janeiro de 2026, o Pacífico equatorial apresentava condições de La Niña. Em junho, a agência americana NOAA já declarava o início de El Niño. Essa passagem de um extremo a outro do pêndulo climático em tão pouco tempo liberou uma quantidade massiva de calor na atmosfera, funcionando como combustível para a formação de tempestades.
O resultado é o que os meteorologistas observam agora: o furacão Karina, de categoria 4; a tempestade tropical Lowell, prestes a se tornar furacão; e a tempestade Marie, que evoluiu rapidamente de uma perturbação. A formação de três sistemas maduros e alinhados é uma demonstração da força com que o El Niño atual está se instalando.
O fantasma de 2015 e as projeções
O paralelo com 2015 é inevitável e instrutivo. Naquele ano, também sob um forte El Niño, os furacões de categoria 4 Kilo, Ignacio e Jimena se alinharam de forma semelhante no Pacífico. Aquele evento foi um marco, sendo a primeira vez que três furacões de grande intensidade foram registrados simultaneamente na região. Aquele ano chegou a ter seis sistemas, entre maiores e menores, ativos ao mesmo tempo no mesmo oceano.
As projeções para o El Niño atual são preocupantes. Existe uma probabilidade de 69% de que ele se torne o mais intenso desde 1950. Anomalias de temperatura de até +10°C em águas subsuperficiais aguardam para emergir, indicando que o fenômeno ainda tem muita energia para liberar. Embora os modelos de longo prazo possam superestimar picos de intensidade, o acoplamento completo entre oceano e atmosfera sinaliza um evento de consequências significativas.
A atual "fábrica de ciclones" no Pacífico não é, portanto, um evento isolado. É o sintoma mais visível de um sistema climático global que está absorvendo e liberando energia em um ritmo acelerado. A questão que se impõe não é se haverá impactos, mas qual será a sua escala à medida que este "super El Niño" amadurece nos próximos meses.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





