O sol de setembro ainda aquece as Baleares, mas a atmosfera em Palma de Mallorca não é apenas de fim de temporada. Há uma tensão no ar, um sentimento de saturação que transborda das praias lotadas para as ruas do centro histórico. Este descontentamento agora tem data e local para se manifestar: 20 de setembro, em frente à Delegação do Governo.

Convocada pela "Plataforma contra la ampliación del aeropuerto de Palma", a mobilização é um sintoma de um mal-estar mais profundo. O grupo, que reúne diversas entidades sociais, ecologistas e de bairro, não protesta apenas contra um projeto de infraestrutura da Aena, a operadora aeroportuária espanhola. A pauta é mais radical: o fim do financiamento público para promoção turística e a abertura de novas rotas aéreas.

O limite do paraíso

A palavra-chave que emerge das reivindicações é "decrescimento". Segundo a reportagem da Forbes España, a plataforma apoia abertamente uma lei de cogestão que permita ao governo local "regular a capacidade de carga" e "iniciar um decrescimento". É uma heresia no manual tradicional do desenvolvimento econômico, que sempre mediu sucesso em número de voos, passageiros e ocupação hoteleira. O que se vê em Palma é a materialização de um debate que ecoa em outros destinos europeus, de Amsterdã a Veneza: quando o motor da economia se torna a causa de seu colapso social e ambiental?

A questão transcende a simples oposição a uma obra. Trata-se de um questionamento fundamental do modelo de turismo que transformou ilhas e cidades históricas em parques temáticos sazonais. A ampliação de um aeroporto como o Son Sant Joan é vista não como progresso, mas como um acelerador da insustentabilidade, pressionando recursos hídricos, o mercado imobiliário e a própria qualidade de vida dos residentes.

A manifestação de Palma, portanto, será mais do que um ato localizado. É um termômetro. O resultado não será medido pelo número de pessoas na rua, mas pela ressonância de sua pergunta central: um lugar pode, e deve, decidir fechar suas portas, mesmo que apenas um pouco, para se salvar? A resposta definirá não apenas o futuro das Baleares, mas o de inúmeros outros "paraísos" no limite de sua capacidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España