A Telefónica Espanha renovou suas certificações de prevenção a crimes e de combate a suborno, adiantando-se na conformidade com os padrões internacionais que serão exigidos a partir de 2025. A companhia obteve a revalidação das normas UNE 19601 e ISO 37001 através da EQA, uma entidade internacional de certificação, segundo comunicado divulgado pela empresa e reportado pela Forbes España.
O movimento, embora processual, carrega uma mensagem estratégica. Em um setor altamente regulado e de capital intensivo como o de telecomunicações, a demonstração pública e auditada de robustez em governança deixou de ser um item acessório para se tornar um pilar de sustentação do negócio. A leitura é que, para a Telefónica, blindar-se contra riscos penais e de corrupção é tão crucial quanto inovar em sua rede.
Governança como Vantagem Competitiva
Em um ambiente de negócios global onde o escrutínio sobre práticas corporativas é cada vez maior, certificações como estas funcionam como um selo de confiança para investidores, reguladores e grandes clientes. A Telefónica, ao se posicionar como uma das primeiras do setor na Espanha a se adaptar às novas exigências, busca transformar o que antes era visto como um centro de custo — a área de compliance — em um ativo gerador de valor e reputação.
A iniciativa ecoa uma realidade bem conhecida no Brasil, especialmente no cenário pós-Lava Jato, onde programas de integridade se tornaram mandatórios para empresas que contratam com o poder público. Lidón Safont, diretora de Compliance da Telefónica Espanha, destacou que o "liderança tecnológica exige tanto inovação constante como também ser um referente institucional (...) em matéria de integridade e bom governo". A fala conecta diretamente a vanguarda técnica à solidez ética.
O Padrão 2025 e o Futuro do Compliance
A antecipação às normas de 2025 sugere que a régua para o bom governo corporativo está em constante elevação. Os frameworks de compliance não são estáticos; eles evoluem para incorporar novos riscos, desde crimes cibernéticos até questões mais complexas de ética em dados, que se tornam cada vez mais pertinentes para uma empresa de tecnologia e conectividade. Manter-se à frente da curva regulatória é uma forma de mitigar riscos futuros e sinalizar maturidade ao mercado.
Este duplo marco, como a empresa o descreve, estabelece um novo patamar para o setor de telecomunicações na Europa. A expectativa é que concorrentes sintam a pressão para seguir o mesmo caminho, solidificando a governança auditável como um padrão de fato na indústria. Para a Telefónica, a mensagem é clara: a tolerância com a corrupção e delitos é zero, e essa postura é um pilar de sua identidade corporativa.
O gesto da Telefónica ilustra uma transição fundamental. A renovação de um certificado de compliance não é mais apenas um formalismo burocrático, mas uma declaração de que, na economia digital, a arquitetura da integridade é tão importante quanto a arquitetura da rede.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





