A Associação Espanhola de Fintech e Insurtech (AEFI), uma das principais vozes do setor na Europa, selou uma parceria com o escritório de advocacia Ecija para ser seu parceiro jurídico de referência. O objetivo é fortalecer o suporte legal e regulatório oferecido às startups e empresas de tecnologia financeira que compõem a organização.
O movimento, noticiado pela Forbes España, pode parecer protocolar, mas sua leitura estratégica é clara: na arena da inovação financeira, a capacidade de navegar — e influenciar — a regulação tornou-se tão crucial quanto o próprio desenvolvimento de produto. A aliança sinaliza o fim da era da improvisação, onde a agilidade se sobrepunha à conformidade. Hoje, a complexidade jurídica é uma variável central na equação do crescimento.
O fim do improviso
A parceria entre a AEFI e a Ecija não se limitará a um serviço de consultoria passiva. As duas entidades trabalharão na análise de novas legislações, no desenvolvimento de relatórios e na promoção de debates com reguladores e agentes públicos. As áreas de foco dizem tudo sobre as fronteiras atuais do setor: regulação financeira, ativos digitais, inteligência artificial, cibersegurança e proteção de dados.
Para as fintechs e insurtechs associadas, muitas das quais são startups com recursos limitados, o acordo funciona como uma estrutura de apoio coletivo. Ele democratiza o acesso a uma expertise jurídica sofisticada, que individualmente seria proibitiva. É o reconhecimento de que, em um mercado maduro como o europeu, a inovação acontece dentro de um arcabouço legal, e não apesar dele.
Um espelho para o Brasil?
O cenário espanhol ecoa uma tendência global, com paralelos diretos no Brasil. A agenda de inovação do Banco Central, com iniciativas como Pix, Open Finance e, mais recentemente, o DREX, transformou a estratégia regulatória em uma função essencial para qualquer fintech que queira competir no país. A interlocução com o regulador deixou de ser reativa para se tornar um pilar do modelo de negócios.
Como destacou Alejandro Touriño, CEO da Ecija, o objetivo é ajudar os associados a “converter os desafios regulatórios e tecnológicos em oportunidades de crescimento”. Essa mentalidade proativa é um aprendizado para o ecossistema brasileiro. Não se trata apenas de cumprir regras, mas de participar ativamente de sua construção, garantindo que a inovação floresça em um ambiente de segurança jurídica e competitividade.
A aliança na Espanha é menos sobre um acordo específico e mais um sintoma da maturação do setor. À medida que a digitalização avança sobre os serviços financeiros, a fronteira entre tecnologia, direito e política pública se torna cada vez mais tênue. A questão para os fundadores não é mais se a regulação importa, mas como transformá-la em uma vantagem estratégica.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





