O cofundador do Waze, Uri Levine, uma das figuras centrais do ecossistema de tecnologia israelense, tem data para desembarcar em São Paulo. Ele é uma das atrações principais da B55 Conference, evento que reunirá empreendedores e investidores. A vinda de Levine não é apenas protocolar; ele carrega no currículo a criação e venda do Waze para o Google por mais de US$ 1 bilhão em 2013 e a participação na Moovit, adquirida pela Intel por valor similar. Sua presença sinaliza a importação de uma mentalidade que gerou múltiplos unicórnios.

O mantra do problema

A tese central de Levine, destilada em seu livro “Apaixone-se pelo problema, não pela solução”, funciona como um antídoto para o fetiche da disrupção. Para o empreendedor, o ponto de partida de um negócio de alto impacto não é uma tecnologia brilhante ou uma ideia inédita, mas uma dor de mercado grande e mal resolvida. O Waze é o caso exemplar: o problema não era a falta de mapas, mas o tempo perdido no trânsito. A solução — um mapa colaborativo alimentado em tempo real pelos usuários — veio como consequência direta da obsessão em resolver essa fricção cotidiana para milhões de pessoas. Essa abordagem pragmática inverte a lógica comum no mundo das startups, que muitas vezes buscam um problema para sua solução já concebida.

A mensagem de Levine chega ao Brasil em um momento oportuno. Após um ciclo de capital abundante que financiou o crescimento a qualquer custo, o ecossistema local agora reavalia seus modelos. A disciplina de focar em dores reais e monetizáveis, em vez de narrativas de crescimento exponencial, tornou-se questão de sobrevivência. Tê-lo no mesmo palco que David Vélez (Nubank) e Guilherme Benchimol (XP) — fundadores que construíram seus impérios atacando as ineficiências dos serviços financeiros — reforça a tese de que os melhores negócios nascem de grandes frustrações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney