A união entre Petz e Cobasi, as duas maiores varejistas do setor de animais de estimação do Brasil, foi selada, criando uma plataforma com projeção de faturamento de R$ 7,7 bilhões para 2025. O comando da nova empresa fica com Paulo Urbano Nassar, cofundador da Cobasi, que agora assume a posição de diretor-presidente do grupo combinado.
A ambição é alta. Em entrevista à InfoMoney durante a CEO Conference da XP, Nassar afirmou que a nova companhia está "fazendo o melhor caso de fusão do varejo brasileiro". A declaração sinaliza a magnitude do desafio: transformar anos de rivalidade acirrada em uma operação coesa e geradora de valor, um teste de fogo para a gestão e para a tese de consolidação do setor.
Da rivalidade à sinergia
Os números da fusão impressionam e redesenham o mapa do varejo nacional. A nova empresa nasce com aproximadamente 520 lojas e 15 mil colaboradores, consolidando uma liderança de mercado antes disputada ponto a ponto. A lógica por trás do movimento é clássica: capturar sinergias operacionais, otimizar a logística e, principalmente, aumentar o poder de barganha com fornecedores. Segundo a reportagem, cerca de 90% das renegociações comerciais já foram concluídas, mas os primeiros ganhos financeiros tangíveis são esperados apenas a partir do terceiro trimestre de 2026, indicando um horizonte de longo prazo.
O crescimento futuro, segundo a nova liderança, virá de duas frentes principais. A primeira é a expansão da oferta de serviços, com destaque para a área de saúde animal. O plano é estender o plano de saúde Seres, originário da Petz, para toda a rede. A segunda é a abertura de novas lojas, com um pipeline de cem pontos de venda já mapeado. A aposta é na resiliência de um setor movido por um fator emocional, que, segundo Nassar, diferencia o negócio do varejo tradicional, onde o consumidor vai "por prazer".
O sucesso da empreitada, contudo, não será medido apenas em faturamento ou número de lojas. O ponto mais sensível, admitido pelo próprio CEO, é a integração cultural. A preocupação em "não trincar os cristais" e "não machucar as pessoas" revela que o maior desafio da "melhor fusão do varejo" será gerenciar as complexidades humanas que nenhuma planilha de sinergia é capaz de capturar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





