A Amazon está desenvolvendo uma nova geração de armazéns altamente automatizados, focados na etapa final da logística antes da entrega ao consumidor. A iniciativa, batizada internamente de 'Projeto Tetromino', pretende criar estações de entrega "totalmente automatizadas" com o uso de robótica e inteligência artificial.

A informação vem de um documento de planejamento interno revisado pelo Business Insider. Embora a Amazon qualifique o projeto como um "conceito em estágio inicial" e conteste os números e o cronograma, a iniciativa revela a ambição da companhia em resolver um dos gargalos mais complexos e caros de sua vasta rede logística: a organização e o carregamento de pacotes nos veículos de entrega.

O quebra-cabeça da última milha

A automação em grandes centros de distribuição já é uma realidade, mas as estações de entrega — onde os pacotes são recebidos, organizados por rota e carregados — ainda dependem intensamente de trabalho manual. O Tetromino, cujo nome é uma provável alusão ao jogo Tetris, ataca justamente esse desafio de encaixar peças de diferentes formatos em um espaço limitado. O sistema busca organizar e sequenciar pacotes de forma otimizada para o carregamento, uma tarefa notoriamente difícil de automatizar.

Segundo a documentação, uma das tecnologias centrais pode vir da startup Boxbot, cujo sistema move pacotes de esteiras para bandejas e usa IA para sequenciá-los para entrega. O documento interno da Amazon projeta que o Tetromino poderia processar pacotes aproximadamente 2,5 vezes mais rápido que o modelo atual de estação. A empresa, no entanto, ressalta que os planos podem evoluir significativamente à medida que a tecnologia for testada.

O futuro do trabalho no galpão

O projeto se insere em um esforço mais amplo de automação da Amazon, que já anunciou planos de mais que dobrar sua frota de braços robóticos até 2026. A concorrência não está parada: FedEx, UPS e DHL também investem pesado em robôs para carga e descarga, sinalizando uma corrida tecnológica para aumentar a eficiência e reduzir custos na chamada última milha.

A automação levanta, inevitavelmente, a questão sobre o futuro do trabalho humano nos armazéns. Publicamente, a Amazon afirma que a tecnologia visa melhorar a segurança e a eficiência, tornando as tarefas menos repetitivas, e não substituindo pessoas. Contudo, relatórios anteriores já indicaram que a própria companhia projeta que a robótica irá "achatar" sua curva de contratações na próxima década.

O discurso oficial foca em empoderar a força de trabalho, mas a direção estratégica aponta para uma operação cada vez mais autônoma. O Tetromino, mesmo em fase conceitual, é uma peça-chave para entender como a Amazon imagina o futuro de sua máquina de entregas — e o papel dos humanos nela.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider