O Metro Quadrado realiza nesta semana a segunda edição de seu Real Estate Summit, um evento que se propõe a debater um aparente paradoxo: a resiliência do mercado imobiliário brasileiro mesmo com a taxa Selic em patamares elevados há mais de quatro anos. O encontro, que acontece em São Paulo, reunirá alguns dos principais nomes do setor para discutir as tendências que sustentam essa performance.

A tese central é que, embora o custo do dinheiro restrinja o financiamento para a compra do imóvel próprio, ele também cria outras avenidas de crescimento. A dificuldade de acesso ao crédito impulsiona a demanda por aluguel, abrindo espaço para novos modelos de negócio e forçando a modernização de segmentos que sofreram com a pandemia, como escritórios e hotelaria.

As novas fronteiras do tijolo

Duas frentes se destacam. A primeira é a do mercado residencial para locação, onde o conceito de 'multifamily' — edifícios inteiros com gestão profissionalizada para aluguel — começa a ganhar tração no Brasil. O modelo, já consolidado nos Estados Unidos, é visto como uma oportunidade estrutural. A discussão reunirá executivos da REdoor, da startup Planta e da gestora Kinea, indicando o interesse tanto de operadores quanto do capital institucional.

Em paralelo, os canteiros de obras enfrentam seus próprios desafios, notadamente a escassez de mão de obra qualificada. A resposta do setor tem sido acelerar a industrialização da construção. Soluções como módulos pré-fabricados e processos mais eficientes, que aumentam a produtividade sem comprometer a qualidade, serão debatidas por incorporadoras como RFM e Fibra Experts, além da paraguaia Building Innovations, sinalizando uma tendência que transcende fronteiras.

O renascimento dos espaços comerciais

Outro ponto de análise é a recuperação de setores que foram duramente atingidos pela pandemia. O mercado de escritórios corporativos, que muitos decretaram como terminal com a ascensão do trabalho remoto, vive um movimento de retomada, com a presença de players como a BGRE (antiga Brookfield Properties), o Pátria Investimentos e a incorporadora Lotus no debate.

A mesma dinâmica ocorre na hotelaria, que vê um 'boom' nas grandes cidades brasileiras. A volta do turismo de negócios e lazer reaqueceu o segmento, atraindo o interesse de gigantes como a Accor e gestoras especializadas como a HSI. A discussão sobre o tema aponta para um ciclo de renovação e novas oportunidades de desenvolvimento.

O cenário que se desenha não é de um boom generalizado, mas de uma sofisticação do mercado. A pressão dos juros força o setor a inovar, seja no modelo de negócio, na eficiência da construção ou na revitalização de ativos. É um sinal de amadurecimento, onde o capital busca teses mais complexas e resilientes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Metro Quadrado