A Olist, gigante brasileira de gestão para pequenos e médios varejistas, anunciou um marco significativo em sua trajetória: a empresa alcançou o breakeven em agosto, com EBITDA positivo e geração de caixa, um feito que o CEO Tiago Dalvi considera a validação de uma estratégia iniciada em 2021. A virada, que representa uma melhora de 30 pontos percentuais em um ano, projeta a geração de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões positivos já no quarto trimestre deste ano, revertendo um cenário de queima de caixa de R$ 15 milhões no mesmo período de 2025. A margem bruta se estabilizou em 70%, com projeção de crescimento de 55% na receita até o fim de 2026.
A estratégia de gestão ponta a ponta
A estratégia que norteou essa recuperação se concentra em posicionar a Olist como uma plataforma de gestão completa, integrando o varejo digital ao físico. Segundo Dalvi, o crescimento da base de clientes é equilibrado, com metade vindo de aquisições e a outra metade de expansão interna via cross-sell. Clientes novos já aderem à conta digital e ao link de pagamento, enquanto clientes antigos, que inicialmente utilizavam apenas o ERP (Tiny, adquirido em 2021), estão sendo incentivados a explorar novas funcionalidades, como a antecipação de recebíveis. O sistema de gestão Tiny, agora no centro do ecossistema da Olist, tornou-se a porta de entrada para 100% dos novos clientes, consolidando a plataforma como uma solução chave para mais de 60 mil empresas e 500 mil usuários diários.
Expansão para pagamentos e crédito
Com um volume transacionado anualmente de R$ 70 bilhões (crescimento de 38%), a Olist observa que metade dessas transações já provém do varejo físico, demonstrando a força de sua atuação além do online. Um dos próximos passos ambiciosos da companhia é a entrada no mercado de maquininhas de cartão, atualmente em fase de testes e com lançamento previsto para 2027. Essa iniciativa visa simplificar a operação de pagamento nas lojas físicas e colocar a Olist em concorrência direta com players estabelecidos como Stone e PagSeguro. Paralelamente, a aquisição da fintech Flip no ano passado fortaleceu a oferta de crédito da Olist. Produtos financeiros, com destaque para a antecipação de recebíveis, já respondem por metade do crescimento projetado para 2026. A empresa antecipou cerca de R$ 1 bilhão em recebíveis neste ano, alavancando dados proprietários sobre sazonalidade, perfil de vendas e capital de giro para precificar o crédito com qualidade e sem degradação de margens.
Inteligência artificial e caixa próprio
A aposta em dados também se reflete no uso crescente de inteligência artificial. A assistente Lis, integrada ao WhatsApp, já é utilizada diariamente por cerca de 20 mil dos 60 mil clientes da Olist, executando mais de 500 mil automações. A ferramenta auxilia em tarefas como emissão de pedidos, reenvio de faturas e definição de metas para colaboradores. Apesar de ter captado US$ 186 milhões em 2021, a Olist não planeja novas rodadas de investimento. A empresa pretende investir cerca de R$ 500 milhões nos próximos dois anos e meio (de 2026 a 2028) em desenvolvimento de produto, aquisições estratégicas e expansão de base, utilizando exclusivamente caixa próprio. O foco em M&A, com um ritmo ideal de uma aquisição por ano a partir de 2027, recai sobre teses adjacentes como pagamentos, logística, contabilidade e IA.
Oportunidade em um mercado pulverizado
O mercado de micro, pequenas e médias empresas de varejo e atacado no Brasil é vasto, contando com 6,8 milhões de empresas, das quais a Olist atende 60 mil. Dalvi estima que, com as soluções atuais, a empresa tem potencial para crescer dez vezes. Essa visão de expansão, sustentada por uma operação lucrativa e caixa robusto, posiciona a Olist para um crescimento projetado entre 45% e 50% em 2027, com sustentação até 2029. A capacidade de alavancar dados próprios e a infraestrutura existente permite à Olist oferecer soluções integradas e financeiras com um diferencial competitivo, sem a necessidade de diluir capital em novas captações.
A Olist demonstra uma capacidade notável de adaptação e crescimento, transformando um modelo de negócio focado no digital para uma abordagem ponta a ponta que abrange o varejo físico e serviços financeiros. A entrada no mercado de maquininhas e a estratégia de investimento com caixa próprio sinalizam uma ambição consolidada, sugerindo que a empresa está pronta para disputar um espaço ainda maior no ecossistema de negócios brasileiro. Resta observar como essa expansão se desdobrará e se a companhia conseguirá manter a lucratividade enquanto acelera seus planos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Startups





