A Pernambucanas promoveu uma troca completa em sua linha de frente, em um movimento que sinaliza urgência na busca por resultados. A varejista recrutou Marcelo Pimentel, ex-CEO do GPA e da Lojas Marisa, para a presidência; Ernane Abrahão, ex-CFO do Grupo Avenida, para a diretoria financeira; e promoveu Carlos Henrique “Caíque” de Mello a chairman do conselho.

Segundo reportagem do Brazil Journal, a mudança não representa uma ruptura com o plano de recuperação em curso, mas uma cobrança dos acionistas por mais velocidade. A tese é que o turnaround iniciado em 2024, embora tenha endereçado problemas estruturais, não estava gerando lucro no ritmo necessário. A meta agora é clara: tornar a operação rentável até 2028, quando a empresa completa 120 anos.

Um turnaround em câmera lenta

A gestão anterior, comandada por Ricardo Doebeli, implementou mais de 400 iniciativas para reorganizar a casa, atacando desde a logística de reabastecimento até a precificação. O esforço, contudo, não se traduziu em números positivos com a rapidez esperada. “Os números não mentem: tem muita coisa que está sendo feita que ainda não deu frutos”, afirmou o novo chairman ao Brazil Journal.

A urgência foi sublinhada em março, quando a auditoria da PwC incluiu um alerta sobre a “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia, citando prejuízos recorrentes e um capital circulante líquido negativo de R$ 698 milhões. Embora a troca de comando não seja uma consequência direta do parecer, ele serve como um termômetro da gravidade da situação financeira.

A receita dos veteranos

A nova diretoria chega com um mandato para focar em eficiência operacional. O plano passa por controlar estoques, reduzir custos e, principalmente, recuperar a margem bruta, adaptando sortimento e preços às realidades regionais. A expansão física está fora de questão; a prioridade é extrair mais valor do parque atual de 470 lojas.

O braço financeiro, a Pefisa, também passará por um ajuste de rota. A estratégia de atuar como um “banco” independente, buscando clientes fora do ecossistema Pernambucanas, será descontinuada. O foco retorna para dentro de casa: aumentar a penetração do cartão da marca nas vendas da rede, com a meta de saltar dos atuais 20% para 40% em dois anos. É um movimento clássico de volta ao básico, concentrando energia no core business.

A recuperação, segundo o conselho, deverá ser financiada pela própria geração de caixa, sem novos aportes dos acionistas. Uma eventual venda do Jatiúca Hotel & Resort, ativo da família controladora, poderia injetar até R$ 150 milhões. A aposta está feita em um time de executivos experientes para executar uma disciplina operacional rigorosa, mas a corrida é contra o relógio e o balanço.

Com reportagem de Brazil Valley

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