A Petrobras, principal fornecedora e acionista da Braskem, está avaliando uma medida de apoio comercial que pode ser decisiva para o futuro da petroquímica: a extensão do prazo para pagamento da nafta, seu principal insumo. A negociação, reportada inicialmente pelo Valor Econômico, ocorre em um momento crítico, enquanto a Braskem corre contra o tempo para fechar um acordo de reestruturação com seus credores.

A proposta em discussão não envolve um empréstimo direto, mas sim uma mudança nas condições comerciais. Em vez de pagar à vista, a Braskem poderia ter até seis meses para quitar suas faturas com a estatal. O movimento é um claro sinal aos credores, especialmente aos detentores de títulos no exterior, de que os acionistas estão dispostos a apoiar a companhia, aliviando a pressão sobre seu capital de giro.

Um sócio com chapéu de credor

A manobra da Petrobras é engenhosa, mas não trivial. Ao flexibilizar suas condições de pagamento de forma tão significativa, a estatal abre um precedente que pode gerar ruído com outros clientes, que hoje operam com prazos de até 14 dias ou mesmo com pagamento antecipado. A decisão coloca a Petrobras em uma posição delicada, equilibrando seu papel de sócia interessada na saúde da Braskem e o de fornecedora com rígidas políticas comerciais e de crédito.

Para a Braskem, o fôlego no caixa seria imediato e fundamental. Com uma dívida bruta de US$ 10,3 bilhões e cerca de US$ 1 bilhão em caixa ao fim de junho, cada dia de prazo para pagamento representa um alívio valioso. A medida é uma forma de injeção de liquidez indireta, contornando a necessidade de um aporte de capital ou de nova dívida financeira em um momento de fragilidade.

A corrida contra o relógio

O apoio da Petrobras, contudo, é apenas uma peça no complexo quebra-cabeça da reestruturação. Os credores já rejeitaram uma proposta inicial da Braskem, que incluía uma carência de cinco anos para o principal da dívida. O consenso ainda parece distante, e a companhia precisa da adesão de ao menos um terço dos credores para protocolar seu pedido de recuperação extrajudicial antes de 24 de agosto, quando vence uma medida de proteção contra execuções.

A estratégia da Braskem parece ser a de ganhar tempo: obter o apoio mínimo para protocolar um plano inicial e, com isso, garantir mais 90 dias de suspensão de cobranças para negociar os termos definitivos. Os credores, por sua vez, exigem salvaguardas robustas, como restrições a dividendos e à venda de ativos, para proteger o caixa da companhia durante o processo.

A intervenção da Petrobras é um movimento tático para evitar um cenário mais caótico, mas a solução de longo prazo para a Braskem ainda depende de uma dura negociação com quem, de fato, detém a maior parte de sua dívida. A estatal comprou tempo para sua investida, mas o relógio continua correndo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times