Analistas do UBS BB revisaram suas estimativas para a Petrobras, elevando o preço-alvo das ações para R$ 62 e reafirmando a recomendação de compra. A tese de investimento na companhia é vista como particularmente atraente sob as atuais perspectivas macro e microeconômicas. A equipe liderada por Tasso Vasconcellos destaca a forte exposição da Petrobras ao mercado de petróleo, um cenário benéfico para a empresa que é exportadora líquida. Adicionalmente, a produção da estatal tem superado as expectativas e o plano divulgado pela própria companhia, indicando um ritmo operacional acima do projetado.
Produção e Exportação Impulsionam Resultados
A produção da Petrobras tem se mostrado um ponto forte, com o ritmo atual à frente das metas estabelecidas. Dados recentes indicam uma produção diária próxima a 2,89 milhões de barris em agosto, reforçando a projeção de que a estatal possa encerrar o ano com volumes superiores às suas próprias metas oficiais. O UBS BB projeta uma produção média de 2,73 milhões de barris por dia em 2026, superando a meta de 2,5 milhões de barris da companhia, e 2,84 milhões de barris diários em 2027, também acima do guidance atual. Essa aceleração na produção é um fator crucial para compensar pressões em outras áreas de negócio e fortalecer a capacidade de geração de caixa da empresa, beneficiando-se diretamente da alta do Brent.
Dividendos Atrativos e Política Clara
A política de dividendos da Petrobras, diretamente vinculada ao fluxo de caixa, tem sido um diferencial importante. O UBS BB estima um yield de dividendos de 10% a 11% para 2026, projetando um aumento para 13% a 14% em 2027. Essa perspectiva coloca a Petrobras em uma posição de destaque entre seus pares globais, sustentando a visão positiva dos analistas. A combinação de preços favoráveis do petróleo, crescimento da produção e uma política de remuneração ao acionista consistente contribui para a atratividade da estatal no mercado.
Refino Sob Pressão, mas com Suporte Governamental
Apesar do cenário positivo em exploração e produção, o segmento de refino da Petrobras apresenta desafios. O UBS BB observou que, no segundo trimestre, a Petrobras foi a única empresa entre concorrentes na América Latina, América do Norte e Europa a registrar queda trimestral no Ebitda por barril processado. A explicação reside na política de preços domésticos, onde a estatal manteve valores internos mais baixos devido a subsídios e outras medidas de contenção governamental, mesmo diante da disparada dos spreads globais de refino. Estima-se que, se a Petrobras tivesse capturado integralmente os preços de importação de diesel e gasolina, o Ebitda do segmento poderia ter sido entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões superior. Contudo, os ganhos na área de produção têm sido suficientes para compensar esse impacto negativo.
Alocação de Capital e Múltiplos Descontados
Uma preocupação crescente entre os investidores é a alocação de capital da Petrobras, com a administração sinalizando disposição para ampliar investimentos e explorar novas frentes. O UBS BB lista potenciais iniciativas que podem aumentar os desembolsos, como participação na Braskem, expansão internacional, ampliação da capacidade de refino, retorno à distribuição de combustíveis, e investimentos em etanol, fertilizantes e mineração. Um aumento expressivo e inesperado nos investimentos é considerado um risco para a tese positiva. Apesar da forte valorização recente, o banco ainda vê a Petrobras negociando a múltiplos descontados em comparação com grandes petroleiras globais, com um P/L projetado para 2026 de cerca de 3,6 vezes e um yield de dividendos superior à média internacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





