O preço do barril de petróleo tipo Brent recuou para abaixo de US$ 90, mas o alívio não chegou às bombas brasileiras. Pelo contrário. A defasagem no preço do diesel atingiu 58% na última semana, enquanto a da gasolina bateu 45%, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

O descolamento expõe a crescente tensão na política de preços da Petrobras. Enquanto o mercado global sinaliza uma trégua, a estatal mantém seus preços de refinaria significativamente abaixo da paridade de importação (PPI), criando uma distorção com implicações para toda a cadeia produtiva e para as contas da própria companhia.

O abismo entre estatal e mercado

Os números detalham o tamanho do problema. Nas refinarias da Petrobras, a defasagem média do diesel chegou a 69% em relação ao preço de paridade de importação, com picos de 72% no porto de Suape. Na prática, o litro do diesel era vendido pela estatal com uma diferença de R$ 2,27 em relação ao valor de referência internacional, conforme reportagem do Money Times.

O contraste com o setor privado é gritante. Na refinaria de Mataripe, na Bahia, controlada pela Acelen, a diferença de preços era de apenas 1% para o diesel e 2% para a gasolina. A comparação indica que a defasagem não é um fenômeno geral de mercado, mas uma decisão estratégica da Petrobras, que segura os reajustes enquanto players privados seguem a cotação internacional.

Essa política funciona como um subsídio implícito, sucedendo as subvenções diretas do governo que foram retiradas. O último reajuste da Petrobras para o diesel ocorreu no início de junho. A questão que fica é a sustentabilidade desse modelo. Ao absorver a volatilidade internacional, a Petrobras alivia a inflação no curto prazo, mas compromete sua própria capacidade de investimento e desincentiva a importação por terceiros, gerando risco de desabastecimento. A conta, em algum momento, chegará.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times