A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República iniciaram a análise de uma segunda versão da proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O material foi entregue pelos advogados do empresário em reuniões recentes, marcando uma tentativa de destravar as negociações após a rejeição de um primeiro documento, considerado insuficiente pelas autoridades em maio. Segundo informações apuradas, os investigadores mantêm cautela e ainda não definiram se aceitarão o acordo, se solicitarão complementos adicionais ou se encerrarão as tratativas de vez.
O cenário atual é de intensa pressão jurídica. Vorcaro, que cumpre prisão preventiva há três meses, busca converter sua colaboração em benefícios penais, enquanto a PF ressalta que o avanço das apurações não depende estritamente de seus relatos. A estratégia da defesa, agora sob a coordenação do criminalista Sergio Leonardo, visa demonstrar maior disposição colaborativa após a saída de Juca, advogado cujas desavenças com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, teriam dificultado o progresso do processo.
O impasse na colaboração anterior
A primeira tentativa de delação, apresentada meses atrás, foi descartada por investigadores por não conter elementos que justificassem benefícios penais. Em vez de admitir crimes, o conteúdo entregue na ocasião tentava justificar pagamentos e o relacionamento do banqueiro com figuras políticas, omitindo fatos que já constavam no radar da PF. Entre as lacunas apontadas, figuravam movimentações envolvendo nomes como o senador Ciro Nogueira e o ex-governador Cláudio Castro, além de diálogos com o senador Flávio Bolsonaro. Para os investigadores, a postura inicial de Vorcaro aparentava ser uma estratégia para ganhar tempo fora do regime de presídio federal, sem oferecer contrapartidas reais para o avanço das investigações sobre o Banco Master.
Mudanças na estratégia de defesa
A recente troca na condução da defesa reflete a urgência do banqueiro em resolver sua situação jurídica. A entrada de Sergio Leonardo sinaliza um movimento para reduzir o atrito com o STF e apresentar um material mais robusto. A leitura editorial é que o sucesso dessa nova etapa depende inteiramente da capacidade de Vorcaro em entregar provas documentais e relatos inéditos que superem as omissões anteriores. Caso os investigadores identifiquem que as novas informações são consistentes, o processo seguirá para depoimentos detalhados e, eventualmente, para a homologação do ministro André Mendonça.
Implicações para o sistema financeiro
O caso Vorcaro transcende a esfera individual, tocando em investigações que envolvem supostas fraudes no Banco Master e conexões com ex-servidores do Banco Central. A possibilidade de delações paralelas, como a de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, adiciona camadas de complexidade ao caso. Para o mercado, o desfecho dessas negociações é monitorado de perto, dada a necessidade de clareza sobre as práticas de governança e as relações institucionais que permeiam o setor financeiro sob investigação.
O horizonte das negociações
O cronograma imposto pela PF sugere que o ideal seria concluir a definição do acordo até julho, evitando que o caso se misture ao período eleitoral. O que permanece incerto é o real valor probatório da nova versão entregue. A expectativa é que as próximas semanas revelem se o empresário está, de fato, disposto a colaborar integralmente com a Justiça ou se a nova proposta ainda carece da substância necessária para viabilizar um pacto que atenda aos interesses do Estado.
O desdobramento dessas tratativas será um teste para a eficiência dos mecanismos de delação premiada em casos envolvendo figuras influentes do setor financeiro e político nacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





