O Brasil registrou 27 ataques de ransomware em agosto, o maior número do ano e o terceiro mês consecutivo de alta, consolidando-se como o sexto país mais visado por cibercriminosos no mundo. Os dados são da plataforma Ransomware.live, monitorada pela empresa de cibersegurança Cohesity, e foram divulgados pelo portal TIInside.

O avanço local não é um fato isolado. Globalmente, agosto foi o mês de maior atividade de ransomware nos últimos doze meses, com 1.212 incidentes reportados — um salto de 27% sobre julho. A leitura é que o mapa do risco digital está sendo redesenhado, com uma descentralização dos alvos para além das economias mais desenvolvidas.

A expansão do perímetro de risco

Embora os Estados Unidos continuem a ser, de longe, o principal alvo (415 casos), a presença de Brasil e Índia (ambos com 27 casos) e México (24) no top 10 global, ao lado de potências europeias como Alemanha e Reino Unido, sinaliza uma mudança estratégica dos grupos criminosos. “Vemos uma expansão clara na mira dos criminosos para além das potências ocidentais tradicionais”, afirmou Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para a América Latina, segundo a reportagem.

Setorialmente, a manufatura (185 casos) e a tecnologia (161) permanecem como as indústrias mais atacadas. No entanto, o aumento expressivo de 38,8% nos ataques ao setor de saúde, que chegou a 118 incidentes, acende um alerta crítico. A disrupção em hospitais e clínicas não representa apenas um risco financeiro, mas uma ameaça direta à segurança de pacientes, elevando a urgência por defesas mais robustas.

Da prevenção à resiliência

A escalada nos ataques impõe uma revisão na postura das companhias brasileiras. A posição do país no ranking global invalida qualquer percepção de que empresas locais seriam alvos secundários. A sofisticação e o volume das ameaças exigem uma estratégia que transcenda a simples prevenção, focando também em resiliência e capacidade de recuperação.

A análise de especialistas, como o executivo da Cohesity, aponta para a necessidade de planos de resposta a incidentes que sejam rigorosamente testados. Conhecer os próprios dados, segmentar redes e treinar a recuperação de sistemas em massa deixam de ser boas práticas para se tornarem condições essenciais de continuidade do negócio.

O debate corporativo, portanto, desloca-se do “se” para o “quando” um ataque ocorrerá. Os números de agosto são um indicativo claro de que, para muitas organizações, o relógio está correndo mais rápido do que se imaginava. A preparação para o pior cenário é, cada vez mais, a única política de segurança sensata.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside