O Safra revisou suas estimativas para a rede de farmácias Pague Menos (PGMN3), reduzindo o preço-alvo da ação de R$ 10 para R$ 6,50. A mudança ocorre em um contexto de ajuste de expectativas macroeconômicas e operacionais, segundo relatório divulgado pela instituição. Apesar do corte, a recomendação de compra foi mantida, com os analistas projetando um potencial de valorização de 66% para os próximos doze meses.

A decisão do banco reflete o impacto de uma Selic mais alta, agora estimada em 13,5% ao ano para dezembro, ante os 12,9% previstos anteriormente. A leitura editorial aqui é que o setor varejista, altamente sensível ao custo de capital, enfrenta uma pressão adicional que exige uma recalibração rigorosa das teses de investimento para o curto e médio prazo.

Ajustes operacionais e macroeconômicos

O Safra também revisou para baixo o crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) da Pague Menos, ajustando a projeção de 16% para 11,6% em 2026. A justificativa técnica aponta para uma base de comparação mais exigente, o que impacta as projeções de receita em cerca de 3% para o mesmo período. A análise indica que o mercado está precificando um ritmo de crescimento mais contido para a rede.

Contudo, as projeções para a margem Ebitda permaneceram praticamente inalteradas. Segundo a equipe de análise, a melhora nas condições comerciais e o avanço da margem bruta — que cresceu 72 pontos-base no primeiro trimestre de 2026 — devem compensar os efeitos da desaceleração das vendas e do ritmo de expansão física das lojas. O banco espera, assim, uma expansão de 40 pontos-base na margem Ebitda em 2026.

O impacto da jornada de trabalho

Um ponto de atenção central na análise do Safra é o possível impacto da discussão sobre o fim da escala 6x1. Os analistas estimam que as mudanças na jornada de trabalho poderiam elevar as despesas de vendas entre 4,1% e 11%. A tese é que esse custo adicional poderia ser parcialmente mitigado por reajustes de preços entre 1,9% e 4,4%.

Em um cenário hipotético de ausência de repasse de custos ou ajustes operacionais, o impacto sobre o lucro líquido poderia variar entre 24% e 57%. Entretanto, os analistas classificam essa hipótese como improvável, sugerindo que a companhia possui margem para manobras operacionais caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho avance no Senado.

Valuation e perspectivas

Nas contas do Safra, a Pague Menos negocia a um múltiplo de 8 vezes o preço sobre lucro (P/L) projetado para 2026. Este patamar é considerado atrativo quando comparado ao múltiplo implícito de 10 vezes utilizado no preço-alvo. A leitura é de que a companhia merece uma reprecificação positiva devido à evolução dos indicadores operacionais e ao aumento da liquidez das ações nos últimos anos.

O desempenho operacional, marcado pela expansão da margem Ebitda nos últimos dois anos, é o pilar que sustenta a confiança dos analistas apesar das incertezas macroeconômicas. A capacidade da empresa de manter a disciplina financeira em um cenário de juros elevados será o fiel da balança para a concretização desse potencial de valorização.

Incertezas no horizonte

O que permanece em aberto é a velocidade com que a Pague Menos conseguirá ajustar sua estrutura operacional diante de novas regulações trabalhistas e a resiliência do consumo frente a uma Selic persistente. Observar a margem bruta nos próximos trimestres será fundamental para validar se a eficiência comercial compensará as pressões de custo.

O mercado aguarda agora os próximos passos da tramitação da PEC no Senado e a reação do varejo farmacêutico como um todo. A trajetória da PGMN3 na B3, que acumula queda no ano, sugere que o investidor mantém cautela, aguardando sinais claros de que as projeções de margem se traduzirão em resultados concretos.

A manutenção da recomendação de compra, mesmo com o corte severo no preço-alvo, sinaliza uma aposta na resiliência do modelo de negócio da Pague Menos, mas deixa claro que o prêmio de risco aumentou consideravelmente no atual ciclo econômico. Resta saber se o mercado compartilhará desse otimismo ou se a volatilidade continuará a ditar o ritmo das negociações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times