O Santander revisou suas projeções para o setor de proteína animal e deixou sua preferência clara: MBRF (MBRF3). Em relatório recente, o banco reiterou a recomendação de compra para a companhia, elevando o preço-alvo de R$ 26 para R$ 28. Na outra ponta, a Minerva Foods (BEEF3) teve seu preço-alvo reduzido de R$ 6,80 para R$ 4,50, com recomendação neutra.
A divergência na análise, detalhada em reportagem do Money Times, reflete uma aposta setorial. O banco enxerga um momento mais favorável para o mercado de frango do que para o de carne bovina, mesmo com ambas as ações acumulando perdas expressivas em 2026. A leitura é que a MBRF oferece uma relação de risco-retorno mais atrativa no cenário atual.
O voo do frango
A confiança na MBRF é ancorada no desempenho esperado da BRF, sua principal investida. O Santander elevou em 16% a projeção de Ebitda da companhia para R$ 13,5 bilhões em 2026, um número 6% acima do consenso de mercado. A tese se apoia na demanda internacional aquecida por carne de frango, especialmente no Oriente Médio, e na resiliência dos preços de alimentos processados no mercado doméstico.
Segundo os analistas do banco, esses fatores positivos são suficientes para compensar a pressão vinda da operação de carne bovina nos Estados Unidos, que deve enfrentar um ciclo negativo prolongado até 2028. A força do frango, por ora, fala mais alto na composição do resultado.
O ciclo do boi em baixa
Para a Minerva, o cenário é de cautela. O Santander acredita que boa parte das notícias negativas já está precificada na ação, que acumula queda de mais de 35% no ano fictício de 2026. Contudo, a ausência de gatilhos positivos impede uma visão mais otimista. O banco projeta uma desaceleração das exportações de carne bovina no segundo semestre, à medida que a cota de importação da China se aproxima do limite.
Simultaneamente, o aumento dos preços do gado no Brasil deve comprimir as margens da companhia. Essa combinação de arrefecimento da demanda externa e aumento dos custos internos levou o banco a cortar sua estimativa de Ebitda para 2026. A recomendação "neutra" sugere que, embora não haja motivos para vender, também não há catalisadores claros para uma recuperação no curto prazo.
Os resultados do segundo trimestre, que serão divulgados em agosto, servirão como o primeiro teste para a tese do Santander. O mercado irá observar se a divergência entre os ciclos do frango e do boi se confirmará nos balanços das companhias.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





