O mercado financeiro parece ter antecipado de forma exagerada o ritmo e a magnitude das futuras elevações das taxas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE). Essa é a visão de Héctor Grisi, CEO do Banco Santander, que, em um fórum organizado pela KPMG e pelo jornal Expansión, defendeu uma postura mais cautelosa. Grisi argumentou que o mercado já precifica entre três e quatro novas altas, mas ele próprio se mostra mais prudente, prevendo que o custo do dinheiro pode atingir um teto de 3% até o final de 2026. Essa projeção implicaria um retorno a níveis de juros não vistos desde dezembro de 2024.

Juros: A visão cautelosamente otimista do Santander

Héctor Grisi expressou um otimismo moderado, sugerindo que duas elevações adicionais nas taxas de juros seriam suficientes para controlar a inflação. "Eu acho que duas subidas seria o adequado para manter e restringir um pouquinho a inflação", afirmou. Com base nisso, ele estima que as taxas de juros deveriam se situar em torno de 2,75% a 3% até o encerramento do ano. O executivo ponderou que, a partir desse patamar, seria necessário avaliar o desenvolvimento das condições econômicas nos diferentes cenários, o que poderia levar a um ligeiro aumento acima de 3% em meados de 2027, seguido por uma tendência de queda.

Aquisições e Estratégia Geográfica

Em relação às recentes aquisições do grupo, como o TSB no Reino Unido e o Webster Bank nos Estados Unidos, Grisi as descreveu como "peças exatamente" necessárias para fortalecer as operações do Santander nessas geografias. No Reino Unido, a aquisição posicionou o banco como o terceiro maior em número de contas correntes, aprimorando sua estrutura de depósitos e competitividade. Nos EUA, o Webster Bank foi fundamental para a entrada do Santander no segmento de banca comercial para empresas de médio e pequeno porte, um nicho onde o banco não possuía uma presença robusta. Apesar do sucesso dessas operações, Grisi anunciou uma pausa estratégica em novas aquisições nos próximos dois anos, focando na integração e na realização das sinergias prometidas ao mercado.

Comparativo Regulatório Europa vs. EUA

Ao ser questionado sobre a simplificação regulatória demandada pelo setor bancário europeu, Grisi destacou seu potencial como alavanca para o crescimento. Ele criticou o ritmo de desenvolvimento econômico da Europa em comparação com os Estados Unidos, apontando um déficit de crescimento anual de 0,7 a 1,7 pontos percentuais nos últimos 20 anos. Para Grisi, é crucial adaptar e simplificar a regulamentação bancária no continente para que as instituições europeias possam competir em igualdade de condições com seus pares americanos. Ele enfatizou que a regulamentação precisa ser mais acessível, sem, contudo, reduzir as exigências de segurança e solidez.

Oportunidades no Mercado de Poupança

Sobre a iniciativa das autoridades europeias de canalizar uma parcela significativa da poupança para o investimento direto, Grisi descartou implicações negativas para o negócio bancário. Pelo contrário, ele vê essa movimentação como uma oportunidade, pois o mais importante é que a poupança seja direcionada para investimentos produtivos. Nesse contexto, o Santander pode desempenhar um papel vital como instrumento financeiro, permitindo que os clientes invistam onde lhes for mais conveniente. A visão do CEO é que a banca deve facilitar o acesso a diversas opções de investimento, atuando como um facilitador para a alocação de capital.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España