O capital estrangeiro está abandonando as ações brasileiras em ritmo acelerado. Na última semana de agosto, os resgates em fundos dedicados ao país somaram US$ 1,4 bilhão, um salto expressivo sobre a média de US$ 100 milhões semanais do segundo trimestre. Os dados, de um relatório do Bank of America, não refletem uma aversão passageira, mas uma mudança estrutural na alocação de recursos.
A análise, detalhada pelo Brazil Journal, aponta para uma nova realidade: o Brasil se tornou um "emergente sem IA". Em um mundo onde o capital busca exposição à inteligência artificial, o país ficou para trás, sem uma tese clara de investimento no setor e vendo o fluxo secar.
O filtro da inteligência artificial
Segundo David Beker, do Bank of America, o mercado de emergentes se dividiu. De um lado, estão países com narrativas de tecnologia e IA, como Coreia do Sul e Taiwan, que se beneficiam da demanda por semicondutores. Eles têm atraído a maior parte dos investimentos.
Do outro, estão os "emergentes sem AI", como a América Latina, com economias em commodities e finanças. Para esse grupo, o fluxo de capital praticamente desapareceu, forçando investidores a aplicar um segundo filtro: a solidez macroeconômica.
A competição na vizinhança
Nessa segunda triagem, o Brasil também perde. O relatório do BofA indica que, entre os emergentes sem tecnologia, a preferência é por nações com reformas estruturais encaminhadas, como Chile, Colômbia e Peru.
A sombra do quadro fiscal e a indefinição eleitoral pesam contra o país. A falta de clareza sobre o futuro da agenda de reformas afasta decisões de longo prazo. Sem uma história convincente em tecnologia e com o dever de casa macroeconômico por fazer, o Brasil se encontra em uma posição delicada.
A expectativa é que o capital retorne o olhar para o país após as eleições, mas o desafio estrutural de se tornar relevante em um mundo pautado por IA permanecerá na mesa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





