O setor aéreo europeu, representado pelas associações ACI Europe e Airlines for Europe (A4E), lançou um ultimato à União Europeia, exigindo mudanças imediatas para sanar os problemas crônicos no controle de fronteiras. Após meses de "tempos de espera excessivos" que resultam na perda de voos e conexões, as entidades apresentaram um plano com seis propostas concretas destinadas a aliviar as limitações operacionais e agilizar os processos biométricos e de dados do Sistema de Entrada/Saída (EES) da UE.

O Plano de Seis Pontos

O pacote de mudanças imediatas proposto pelo setor aéreo inclui a eliminação da "dupla verificação" de passageiros, a otimização da verificação biométrica e a prevenção da duplicação de perfis EES. Além disso, as associações sugerem o redesenho e atualização da aplicação e portal web 'Viaja para a Europa', bem como a aceleração e harmonização do controle automatizado de fronteiras para cidadãos de países terceiros. Uma proposta crucial é o restabelecimento da possibilidade de suspender parcialmente o EES em caso de tempos de espera excessivos, funcionando como um mecanismo de flexibilidade permanente, sem a necessidade de registro biométrico em situações de pico.

Críticas à Implementação do EES

Olivier Jankovec, diretor-geral da ACI Europe, e Ourania Georgoutsakou, sua contraparte na A4E, destacaram que "a Europa precisa de um sistema de gestão de fronteiras que seja seguro e eficaz do ponto de vista operacional, não um que priorize um objetivo sobre o outro". Eles instaram a Comissão Europeia e os Estados-membros a implementarem as propostas "o quanto antes, em plena cooperação com o setor". As associações criticam que, quase seis meses após a plena implementação do controle fronteiriço, as longas filas persistem, expondo os passageiros a "dificuldades desnecessárias" e gerando "grave congestão" nos terminais. Essa situação impõe "pressão excepcional" sobre agentes de fronteira, pessoal de aeroporto e companhias aéreas.

Deficiências Estruturais Persistentes

Segundo as associações, os problemas são atribuídos a "deficiências estruturais" que vêm sendo alertadas há meses. Entre elas, destacam-se a dotação insuficiente de pessoal nos controles de fronteira, a instabilidade dos sistemas informáticos que sustentam o EES, e o uso ainda limitado de quiosques de autoatendimento e portões automatizados de controle fronteiriço. Essas falhas sistêmicas comprometem a eficiência e a experiência do viajante, impactando diretamente a operação aérea e a imagem da Europa como destino turístico e de negócios.

Implicações para o Futuro da Mobilidade

A insistência do setor aéreo por soluções práticas aponta para uma tensão crescente entre a necessidade de segurança nas fronteiras da UE e a fluidez do tráfego aéreo, vital para a economia europeia. A capacidade de resolver essas questões de forma eficaz terá implicações diretas na competitividade dos aeroportos europeus e na atratividade do continente para viajantes internacionais. A adoção das propostas pode não apenas otimizar os fluxos de passageiros, mas também servir como modelo para outros blocos regionais que enfrentam desafios semelhantes na gestão de fronteiras em um mundo cada vez mais conectado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España