O escritório de arquitetura Studio Multi e a designer de interiores Tabitha Isobel concluíram recentemente o Conductor, uma instalação de co-working em Stratford, leste de Londres. Integrado ao complexo residencial Coppermaker Square, o projeto de 3.400 metros quadrados busca transcender a estética corporativa convencional, oferecendo um ambiente que prioriza o conforto e a imersão sensorial.
O projeto evidencia como a transição para modelos de trabalho flexíveis exige novas respostas espaciais. Segundo a Dezeen, o espaço utiliza uma paleta de cores em tons de ferrugem, âmbar e ocre, aliada a elementos biofílicos, para criar um ambiente que se distancia da frieza dos escritórios tradicionais e se aproxima da hospitalidade.
Design inspirado na era de ouro das ferrovias
O conceito central do Conductor foi informado pela estética histórica das viagens de trem, com referências diretas à arquitetura moura e às qualidades espaciais dos antigos 'palm courts'. O átrio, coração do edifício, funciona como um espaço que se altera ao longo do dia, adaptando-se a diferentes modos de trabalho e circulação.
A estratégia da designer Tabitha Isobel foi criar um ambiente imersivo que surpreendesse o usuário logo na entrada. A disposição dos elementos, como o uso de cerâmicas em padrões alternados e o dossel de madeira sobre o café, serve para delimitar áreas sem a necessidade de barreiras físicas rígidas, mantendo a fluidez do plano aberto.
Mecanismos de conforto e intimidade
O uso de materiais táteis, como madeira, tecidos texturizados e cerâmica, contrasta intencionalmente com a estrutura robusta de concreto e aço do edifício. Essa camada de acabamentos serve para suavizar a acústica e a estética, criando zonas de intimidade dentro de um volume amplo.
Um exemplo marcante é o 'conversation pit' estofado em tecido vermelho profundo, posicionado sob um dossel acústico para reduzir ruídos. Da mesma forma, a biblioteca é separada do átrio por tijolos de terracota, que permitem a passagem de luz natural enquanto garantem a privacidade visual necessária para tarefas que exigem foco, demonstrando a versatilidade do layout.
Stakeholders e a nova fronteira do co-working
Para o setor de real estate, o projeto reflete uma mudança na demanda por espaços de trabalho em empreendimentos 'build-to-rent'. A integração de um ambiente de trabalho de alta qualidade em um complexo residencial sugere que a fronteira entre vida profissional e pessoal está sendo redesenhada, exigindo que os arquitetos ofereçam mais do que apenas estações de trabalho.
Para os usuários, a oferta de um ambiente que lembra um hotel ou uma sala de estar residencial pode reduzir o estresse associado ao ambiente de escritório. Contudo, a eficácia desse modelo em manter a produtividade a longo prazo permanece um ponto de atenção para gestores de facilities e empresas que buscam equilibrar o bem-estar com a eficiência operacional.
Perspectivas para o design de escritórios
O que permanece incerto é como a manutenção de materiais táteis e plantas em larga escala impactará os custos operacionais do Conductor ao longo dos anos. A durabilidade desses elementos em um ambiente de alto tráfego será um teste importante para a viabilidade do design de hospitalidade em larga escala.
Observar como os usuários interagem com os espaços de transição e se o modelo de 'intimidade sem fechamento' será replicado em outros projetos de uso misto será o próximo passo para entender a evolução do design de interiores corporativos no Reino Unido e além.
A arquitetura do Conductor sugere que o futuro do trabalho flexível pode não estar nos escritórios de planta aberta tradicionais, mas em espaços curados que priorizam a experiência humana e a estética residencial. O desafio será manter essa qualidade sensorial enquanto o espaço é submetido ao desgaste diário de uma força de trabalho dinâmica.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





