A lealdade a uma marca, construída ao longo de décadas com investimentos massivos em branding e publicidade, pode estar com os dias contados. Uma nova pesquisa da Accenture na Espanha, detalhada em reportagem da Forbes, revela um dado alarmante para o status quo do marketing: 42% dos consumidores que se consideram fiéis a uma marca permitiriam que um agente de inteligência artificial os convencesse a trocá-la por uma opção melhor.
O estudo, intitulado “Consumer Pulse 2026”, sinaliza uma transformação profunda na forma como as pessoas descobrem, comparam e compram produtos. A tese é que a ascensão dos agentes de IA — sistemas que podem tomar decisões e executar compras em nome do usuário — insere um novo e poderoso intermediário na relação entre consumidor e marca. Um intermediário movido por lógica, não por emoção.
A desconstrução da lealdade
A disposição para delegar decisões é mais profunda do que parece. Segundo a pesquisa, 73% dos consumidores espanhóis afirmam que confiariam mais em um agente de IA do que em seu melhor amigo para realizar uma compra. Este número não é apenas uma curiosidade estatística; é um sintoma da transição de um modelo de consumo baseado em afinidade e hábito para um orientado por eficiência e otimização.
Enquanto 51% dos entrevistados ainda dizem que indicariam à IA quais marcas considerar, a porta para a disrupção já está aberta. A leitura aqui é que, para um universo crescente de produtos, especialmente os de baixo risco como itens domésticos, a conveniência algorítmica superará o apelo emocional. O campo de batalha pela preferência do consumidor está se deslocando da gôndola do supermercado para a arquitetura de software do assistente pessoal.
O novo campo de batalha
Isso não significa o fim da experiência de compra, mas uma bifurcação dela. A pesquisa também aponta que 27% dos consumidores acreditam que as lojas físicas ganharão importância como espaços para criar experiências, e 30% destacam o valor da interação pessoal para gerar confiança. O futuro do varejo pode ser um de dois extremos: transações de alta eficiência automatizadas por IA e interações de alto valor agregado mediadas por humanos.
Para as marcas, o desafio é duplo. De um lado, será preciso dominar a nova ciência de ser “a melhor opção” para um algoritmo, o que envolve otimizar preço, disponibilidade, avaliações e outras variáveis mensuráveis. Do outro, será necessário criar experiências de marca tão ricas e memoráveis que justifiquem a escolha humana, mesmo quando um algoritmo sugere o contrário.
A questão estratégica muda de “como construir uma marca amada?” para “como construir uma marca que um robô imparcial recomendaria?”. Para muitas categorias, a resposta para a segunda pergunta será a única que importa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




