A prefeitura de Nova York está investindo US$ 900 milhões para resolver um problema crônico de seu sistema de transporte público: a lentidão dos ônibus. O prefeito Zohran Mamdani anunciou um plano focado em tornar as viagens mais rápidas, mesmo que isso signifique adiar uma de suas principais promessas de campanha: a gratuidade do serviço.

Segundo reportagem do Business Insider, a decisão reflete uma escolha pragmática, informada tanto por restrições orçamentárias quanto pelo sentimento dos próprios passageiros. Em entrevistas, usuários afirmaram que preferem um serviço confiável e pontual a um serviço gratuito. A leitura é que, para o nova-iorquino médio, o tempo perdido no trânsito é um custo mais alto que os US$ 3 da passagem.

O cálculo por trás da velocidade

O plano de Mamdani se apoia em três pilares. O primeiro é a melhoria dos próprios veículos, com manutenção reforçada, embarque por todas as portas e sistemas de pagamento por aproximação funcionais em toda a frota. O segundo é a infraestrutura das paradas, que passarão a contar com mais assentos, abrigos e informações de horário em tempo real.

O terceiro, e talvez mais crucial, é a garantia de faixas exclusivas desobstruídas. A estratégia inclui o alargamento de corredores e o uso de câmeras para fiscalização automatizada, multando motoristas que invadem o espaço dos ônibus. O objetivo é atacar diretamente a principal queixa dos usuários: a imprevisibilidade. Um estudo do município apontou que um terço dos ônibus não chega no horário e mais da metade das linhas sofre com atrasos devido ao "bunching", o acúmulo de veículos na mesma rota.

A miragem da tarifa zero

Adiar a gratuidade é, antes de tudo, uma questão matemática. As tarifas de ônibus geram US$ 652 milhões em receita anual para Nova York. Tornar o serviço gratuito custaria, no mínimo, US$ 700 milhões por ano para cobrir a perda de arrecadação e os custos de manutenção decorrentes do aumento de passageiros. Além de mais caro, o movimento exigiria complexas negociações com o governo do estado, que opera a autoridade metropolitana de transportes.

Mais contraintuitivo é o fato de que a gratuidade pode piorar a velocidade. Um programa piloto realizado na cidade em 2023, que eliminou tarifas em cinco linhas, resultou em aumento de passageiros, mas também em um serviço mais lento. Experiências similares em cidades como Boston e Kansas City mostraram resultados mistos, reforçando o dilema. Para a gestão atual, a conclusão parece clara: um ônibus gratuito que não chega não serve a ninguém.

Por enquanto, as obras para expandir as faixas de ônibus em avenidas importantes de Manhattan já começaram, com a meta de entregar a maior parte das melhorias até 2027. O debate sobre a tarifa zero continua, mas a prioridade na rua é outra. Para quem depende do transporte público diariamente, a pontualidade é um benefício que o dinheiro, por si só, não compra.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider