Um ano após sua aquisição pela Almaviva, a TIVIT, conhecida por suas soluções de infraestrutura de TI, está pronta para retomar sua estratégia de fusões e aquisições (M&A) com um capital reservado de até R$ 1 bilhão. A mudança de propriedade, concluída há 14 meses, trouxe um novo direcionamento para a companhia brasileira, que agora busca ir além de parceiros generalistas. A nova tese, segundo Mitri Britto, diretor de estratégia, M&A e marketing da TIVIT, é a de adquirir software e hardware proprietários para formar unidades de negócio focadas em indústrias específicas, aproveitando a estrutura do grupo italiano para escalar essas novas aquisições.

Um novo foco: verticalização por indústria

A TIVIT observou uma mudança clara nas demandas de seus clientes. Grandes empresas não buscam mais apenas um integrador com conhecimento amplo em nuvem, SAP, dados, cibersegurança e IA. Elas desejam parceiros que compreendam profundamente as especificidades de seus setores. Em resposta, a TIVIT está estruturando seis verticais: Governo, Setor Financeiro, Saúde, Utilities, Manufatura e uma sexta em definição. Cada vertical operará como uma unidade de negócio autônoma, com capacidade de atrair e integrar clientes, ao mesmo tempo em que coexiste com a oferta horizontal da integradora. "A conversa não fica na camada de tecnologia, ela fica na camada de negócio", ressalta Britto, indicando um movimento em direção a soluções mais estratégicas e orientadas ao negócio do cliente.

O funil de aquisições e o escopo geográfico

Para concretizar essa visão, a TIVIT mapeou mais de 600 empresas na América Latina, das quais 75 foram abordadas e 15 estão em auditoria técnica. O processo envolve a equipe global da Almaviva, que já identificou aplicações tecnológicas brasileiras inéditas para o grupo. O foco geográfico do investimento de R$ 1 bilhão abrange seis países onde a TIVIT tem forte presença: Brasil, Chile, Colômbia, Peru, Argentina e México. Embora o programa tenha começado com um piloto no Brasil, a expansão para os demais mercados está em andamento, alinhada ao objetivo de usar a TIVIT como plataforma de aceleração do grupo Almaviva na região.

Consolidação e fragmentação do mercado

Apesar de o movimento poder ser interpretado como uma estratégia de consolidação, Britto refuta a ideia de que a TIVIT está simplesmente comprando receita ou base de clientes. O objetivo principal é a diversificação tecnológica, com o ganho de market share sendo uma consequência natural. Ele aponta que o mercado de tecnologia na América Latina, e especialmente no Brasil, ainda é pulverizado, com o maior provedor detendo apenas 5% de participação, o que contrasta com mercados mais maduros. O financiamento virá exclusivamente do caixa próprio da TIVIT, sem dívidas ou capital do grupo Almaviva. A expectativa é de que o primeiro negócio seja fechado em 2027, priorizando a assertividade sobre a quantidade de transações.

Com reportagem de Brazil Valley

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