A percepção pública sobre a gestão econômica de Donald Trump nos Estados Unidos atingiu um novo patamar de insatisfação. Segundo uma pesquisa recém-divulgada pelo Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research, apenas 17% dos adultos americanos aprovam a forma como o presidente lidou com o custo de vida. O índice de aprovação para a economia em geral também registrou uma baixa, com apenas 26% dos entrevistados demonstrando contentamento, o que representa um novo recorde negativo. Mais preocupante para a base republicana, uma maioria de 65% dos adultos atribui as altas persistentes de preços às políticas de Trump, superando fatores externos de seu controle. Esse cenário sinaliza um crescente cansaço com o uso agressivo de tarifas e a insatisfação contínua com a guerra no Irã, eventos que pesam sobre a economia e a confiança do eleitorado.

Descontentamento em Massa, Mesmo Entre Republicanos

Os números sombrios surgem em um momento crítico, a poucas semanas das eleições de meio de mandato, que definirão o controle do Congresso. Enquanto Trump intensifica sua agenda de campanha com comícios, sua popularidade geral permanece baixa. Mesmo muitos republicanos, que outrora o apoiavam incondicionalmente, agora o criticam por não entregar o alívio prometido. Robert Gault, um aposentado de 66 anos da Pensilvânia que se identifica como republicano, expressou sua decepção: “Eu esperava que fosse melhor ou diferente, mas não está nada bom. Nosso presidente, eu pensei que ajudaria o país, e até agora ele não fez isso realmente com a economia ou em geral. Ele não fez o que eu esperava que fizesse. Ele disse: ‘Make America Great Again’. E eu não o vi fazer isso.” Essa fala reflete um sentimento generalizado de que as promessas de campanha não se traduziram em melhorias tangíveis para o bolso do cidadão comum.

O Peso da Inflação e das Tarifas

Nos últimos meses, a preocupação dos americanos em arcar com despesas básicas, como mantimentos e combustível, aumentou significativamente. Aproximadamente metade dos adultos se diz “extremamente” ou “muito” preocupada em encher o tanque de seus carros, um aumento considerável em relação a julho. Da mesma forma, metade da população demonstra alta preocupação com a capacidade de comprar alimentos. Pedro Sanchez, 52 anos, da Califórnia, que votou em Trump e trabalha na área de segurança, descreve os preços como "extremamente exorbitantes", com o custo de tudo subindo devido ao combustível. Ele relata a perda de poder de compra: “Eu costumava ter muito mais renda disponível. Não tenho mais isso. Foi consumido por causa de todos esses aumentos no custo de tudo.” A performance de Trump na economia, que foi um ponto forte em seu primeiro mandato, agora o prejudica. Cerca de 7 em cada 10 americanos consideram que sua gestão do custo de vida foi “pior do que o esperado”, incluindo metade dos republicanos. Bethany Lnenicka, 41 anos, que administra uma pequena fazenda em Iowa, lamenta que “os mantimentos estão fora de controle. Parece que tudo está subindo.”

Comparativo com Biden e as Perguntas em Aberto

A pesquisa também oferece um contraste com a gestão do ex-presidente Joe Biden. Embora Biden tenha enfrentado críticas por inflação alta em 2022, a pesquisa AP-NORC de 2026 mostra que os americanos são mais propensos a culpar Trump por seus problemas econômicos atuais. Em outubro de 2022, apenas 44% dos americanos atribuíam as altas de preços às políticas de Biden, enquanto 55% culpavam fatores externos. Agora, a situação se inverteu para Trump. Sanchez, o eleitor republicano, aponta diretamente para as ações de Trump: “Acho que ele tem muito a ver com isso. Essa guerra no Irã, as tarifas que ele está impondo a outros países, obviamente estão nos afetando. Essas duas coisas são coisas em que ele esteve diretamente envolvido e que afetam diretamente a economia.” Ele contrasta isso com Biden, cujos desafios, ele acredita, foram em grande parte externos, como a pandemia de COVID-19. As questões que permanecem em aberto são muitas: será que o eleitorado atribuirá a culpa a Trump nas urnas, ou fatores externos ainda pesarão mais? Como a administração Trump responderá a essa onda de insatisfação pública, especialmente vindo de sua própria base eleitoral?

O Futuro da Economia Sob Trump

A imagem econômica de Trump, historicamente um pilar de sua popularidade, parece abalada. A aprovação em áreas como comércio e a guerra no Irã também são baixas, com a maioria dos americanos (69%) considerando que a guerra não valeu a pena. Apenas cerca de 3 em cada 10 adultos aprovam sua gestão em negociações comerciais, e 64% acreditam que ele foi longe demais nas tarifas. A única área onde Trump mantém uma força relativa é a segurança de fronteiras, com metade dos americanos aprovando seu desempenho. A discrepância entre as promessas de campanha e a realidade econômica atual levanta questões sobre a capacidade de Trump de reverter essa percepção negativa antes das eleições. A frustração com o custo de vida, combinada com a desaprovação de suas políticas, sugere um cenário desafiador para o futuro de sua agenda econômica e para a confiança do eleitorado em sua liderança.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune