O governo de Donald Trump planeja destinar US$ 4 milhões para fortalecer veículos de mídia de direita na Europa. O valor é parte de um pacote maior, de pelo menos US$ 25 milhões, direcionado a grupos da sociedade civil alinhados a pautas conservadoras no continente. A iniciativa, reportada pela agência Reuters, já provoca tensões diplomáticas com aliados europeus, que acusam Washington de interferência em sua política interna.

A Estratégia por Trás do Financiamento

O plano, notificado ao Congresso americano em 21 de agosto, é operado pelo Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado. Segundo as fontes, US$ 3 milhões serão usados para "documentar e analisar o retrocesso democrático" ligado à migração, enquanto US$ 1 milhão visa criar um consórcio de jornalistas para cobrir temas como "soberania nacional". A leitura é que a Casa Branca substitui a tradicional promoção da democracia por um fomento ideológico seletivo, apoiando vozes alinhadas à sua própria agenda populista.

Reação Europeia e o Contexto Global

A reação foi imediata. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que a Europa "não tolerará nenhuma tentativa de interferência estrangeira". O movimento coloca os EUA numa posição delicada, já que o país frequentemente condena ações similares por parte de Rússia e China. Curiosamente, o pacote de financiamento do Departamento de Estado, que totaliza quase US$ 180 milhões, também prevê verbas para o Brasil, com o objetivo de apoiar a sociedade civil no combate à "ingerência judicial e à censura", termos carregados de significado no debate político local.

A linha entre a defesa da liberdade de expressão e o financiamento partidário torna-se cada vez mais tênue. Ao usar a máquina estatal para impulsionar uma agenda ideológica específica no exterior, a administração Trump não apenas tensiona alianças históricas, mas também estabelece um precedente cujas consequências para a geopolítica e o cenário de mídia global ainda estão por ser vistas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney