O prazo de 60 dias para que Estados Unidos e Irã selassem um acordo de paz expirou nesta segunda-feira, sem qualquer sinal de avanço. O memorando, assinado em junho sob a mediação do Paquistão, pretendia encerrar a guerra iniciada em fevereiro e resolver a disputa nuclear, mas as partes estão hoje mais distantes do que no início do processo.
A negociação, segundo reportagem da Fast Company, travou em pontos que deveriam ter sido resolvidos de forma interina: a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio americano aos portos iranianos. A leitura é que o otimismo inicial deu lugar a um impasse estratégico, com ambos os lados entrincheirados em suas posições, testando os limites um do outro.
Um impasse de alto custo
O acordo provisório ruiu semanas após ser assinado. O Irã, aproveitando-se de uma cláusula ambígua no texto, passou a reivindicar o controle sobre o Estreito de Ormuz, via navegável por onde passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra. Em resposta a ataques iranianos a embarcações, os EUA retaliaram e restauraram o bloqueio econômico, anulando o que restava do pacto.
O governo de Donald Trump agora enfrenta um dilema. Escalar um conflito já impopular drenaria ainda mais os recursos militares americanos e impactaria a economia global às vésperas das eleições de meio de mandato no país. Por outro lado, ceder o controle do estreito ao Irã seria interpretado como uma admissão de derrota. Teerã, por sua vez, aposta que a pressão econômica e política forçará Washington a ceder primeiro, apesar da severa crise interna causada pela guerra e pelo isolamento.
Enquanto intermediários como o Paquistão ainda esperam uma extensão do prazo, a realidade é de estagnação. O Irã apresentou uma lista de exigências, incluindo reparações de guerra, que foram prontamente rejeitadas por Trump. Com ambos os lados irredutíveis e o tráfego marítimo em Ormuz reduzido a uma fração do normal, o custo econômico e geopolítico do impasse continua a subir, sem uma solução à vista.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





