O UBS BB, um dos principais bancos de investimento globais, projeta que o dólar pode recuar para a faixa de R$ 4,50 a R$ 4,60 nos próximos três a seis meses. Essa expectativa está condicionada a um reforço do resultado da primeira rodada eleitoral no segundo turno e à manutenção de preços favoráveis do petróleo. A instituição financeira avalia que o desfecho das urnas aumentou significativamente a probabilidade de uma inflexão positiva na trajetória fiscal do Brasil, cenário que, segundo o banco, pode beneficiar o real, as ações e os títulos de renda fixa nacionais.
Melhora fiscal impulsiona ativos
Em relatório divulgado após o primeiro turno das eleições, o UBS BB destacou que o resultado eleitoral elevou substancialmente as chances de uma mudança de rumo nas expectativas e nos resultados fiscais do país. A instituição sugere que os investidores já começam a precificar essa perspectiva em seus portfólios, antecipando o segundo turno. Dado que o posicionamento em ações e títulos locais parecia relativamente baixo antes da votação, a reação inicial dos mercados pode ganhar força, impulsionando ainda mais a valorização dos ativos brasileiros.
Dólar pode buscar R$ 5 antes de cair
Antes de atingir a projeção de R$ 4,50 a R$ 4,60, o UBS BB estima que a moeda norte-americana possa se aproximar de R$ 5 no curto prazo. Atualmente, o dólar opera em patamares significativamente mais altos, tendo fechado em R$ 5,22 na sexta-feira anterior à divulgação do relatório. Esse movimento de aproximação a R$ 5 seria um ajuste que eliminaria grande parte da distância entre a cotação atual e o valor considerado justo pelos modelos do banco. A instituição financeira já havia adotado uma estratégia favorável aos ativos brasileiros, incluindo posições compradas em ações locais e no real, operações que se beneficiam diretamente da valorização desses ativos. No câmbio, a estratégia específica envolve opções digitais de venda de dólar contra real com prazo de nove meses e preço de exercício de R$ 4,50.
Juros longos podem ceder para perto de 10%
O otimismo do UBS BB não se restringe ao câmbio e à bolsa; ele também se estende à renda fixa. O banco espera uma valorização generalizada dos títulos brasileiros ao longo de toda a curva de juros. Inicialmente, as taxas de juros dos vencimentos mais longos podem se estabilizar em patamares 1,50 a 2,00 pontos percentuais abaixo dos níveis observados antes da votação, um movimento comparável ao que ocorreu após as eleições na Colômbia. Caso o ajuste fiscal projetado se concretize, o UBS BB projeta que essas taxas de juros de longo prazo poderão cair gradualmente, aproximando-se de 10% até o final de 2027, um contraste acentuado com os 14,25% registrados na sexta-feira. Essa queda nas taxas de juros de longo prazo tende a valorizar os títulos já emitidos, beneficiando os investidores que os detêm.
Cenário eleitoral e fiscal sob observação
Apesar da perspectiva positiva, o UBS BB reconhece que o cenário eleitoral e fiscal ainda está sujeito a desenvolvimentos nas próximas semanas. Fatores como desdobramentos de investigações envolvendo instituições financeiras, anúncios de programas de transferência de renda e novas iniciativas de política pública são monitorados de perto. A redistribuição de votos dos candidatos eliminados também é um ponto de atenção. Contudo, o banco considera que, após o primeiro turno, a probabilidade de que esses fatores alterem drasticamente a disputa antes do segundo turno diminuiu significativamente. A continuidade do movimento de valorização dos ativos brasileiros dependerá, portanto, tanto do resultado final das urnas quanto da efetiva concretização das medidas de ajuste fiscal esperadas.
O cenário desenhado pelo UBS BB sugere um período de otimismo cauteloso para os mercados financeiros brasileiros, condicionado à confirmação de um compromisso com a responsabilidade fiscal após o período eleitoral. A trajetória futura dos ativos dependerá da capacidade do governo eleito de implementar as reformas prometidas e de gerir as contas públicas de forma sustentável, equilibrando as demandas sociais com a necessidade de estabilidade econômica. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





