A XP Investimentos reduziu o preço-alvo das ações do Assaí (ASAI3) de R$ 11 para R$ 10,50, mantendo a recomendação de compra para o papel. A decisão reflete uma atualização nas premissas macroeconômicas que impactam diretamente o setor de varejo alimentar, incluindo o cenário de inflação de alimentos e o patamar elevado das taxas de juros no país.
Segundo relatório assinado pelos analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, o ajuste foi necessário para alinhar as projeções aos novos desafios operacionais. A mudança no preço-alvo, que ainda sugere um potencial expressivo de valorização sobre o fechamento recente, incorpora também novos efeitos tributários e despesas operacionais da companhia.
Ajustes estruturais e margens
A revisão do modelo financeiro para o Assaí levou em conta uma estrutura de despesas gerais e administrativas (G&A) mais enxuta, resultado direto da reestruturação realizada pela empresa no primeiro trimestre. Paralelamente, o modelo incorporou maiores despesas de vendas e o impacto da mudança nas regras de ICMS/ST sobre a margem bruta da varejista.
Os analistas destacaram que o corte nas estimativas de lucro líquido ajustado para o biênio 2026-27, excluindo créditos tributários, foi da ordem de 26% a 28%. Esse movimento reflete uma postura de maior cautela diante da volatilidade do consumo e da pressão persistente sobre os custos operacionais que o setor enfrenta atualmente.
Dinâmicas do setor e fluxo de caixa
Mesmo sob condições macroeconômicas adversas, a tese de investimento da XP sustenta-se na expectativa de que a aceleração da inflação de alimentos funcione como um vetor marginalmente positivo para as vendas de mesmas lojas (SSS). O Assaí, por sua natureza de atacarejo, mantém uma resiliência característica perante a mudança de hábitos do consumidor brasileiro em momentos de restrição orçamentária.
A solidez do fluxo de caixa livre, estimada em um yield na casa dos mid-teens (14% a 17%), é outro pilar que sustenta a confiança da corretora. Além disso, a antecipação da monetização de créditos de PIS/Cofins aparece como um ponto de suporte para o balanço, embora a visibilidade sobre outras iniciativas estratégicas permaneça limitada no curto prazo.
Reflexos do primeiro trimestre
O desempenho do primeiro trimestre de 2026 trouxe números que ilustram a complexidade do cenário. Com um lucro líquido de R$ 86 milhões — uma queda de 46,7% em comparação ao mesmo período de 2025 — o Assaí enfrentou um ambiente de receita líquida praticamente estável, atingindo R$ 18,64 bilhões. O Ebitda ajustado também apresentou estabilidade, totalizando R$ 1,025 bilhão.
Esses resultados ficaram abaixo das expectativas do mercado, que projetava números mais robustos segundo dados da LSEG. A disparidade entre o resultado operacional reportado e o lucro líquido, quando incluídos os créditos tributários de PIS/Cofins, sublinha a importância dos fatores não recorrentes para a leitura dos resultados da companhia neste ano.
Perspectivas e incertezas
O mercado agora observa como a rede conseguirá navegar o restante do ano fiscal diante de juros que permanecem em patamares restritivos. A capacidade da empresa de converter sua escala em eficiência operacional será o principal termômetro para os próximos trimestres.
O que permanece em aberto é a velocidade com que o Assaí conseguirá absorver os custos de expansão e reestruturação sem comprometer sua alavancagem. O acompanhamento das margens e da dinâmica de preços nas lojas será fundamental para validar se a recomendação de compra se sustentará frente a novos dados macroeconômicos.
A trajetória da varejista segue atrelada não apenas à execução interna, mas à resiliência do poder de compra das famílias brasileiras. A capacidade de adaptação do modelo de negócio diante de um cenário de crédito caro e inflação pressionada ditará o ritmo da valorização das ações no médio prazo. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





