A fintech Zeom, com sede em Londres e fundada por um grupo de brasileiros, anunciou a captação de uma rodada pré-seed de R$ 15 milhões. O aporte, liderado pela Fabric Ventures e com a participação da aceleradora Plug and Play e da espanhola Tritemius, marca a saída da empresa do modo stealth e o início oficial de suas operações no mercado brasileiro. A companhia busca se posicionar como uma ponte entre o sistema financeiro local e ativos globais.

O movimento ocorre em um momento de maturação do setor de contas globais no Brasil, que já conta com competidores estabelecidos. Segundo a empresa, a proposta de valor reside na integração de uma conta global com serviços de investimento acessíveis a partir de R$ 50, utilizando infraestrutura baseada em blockchain para viabilizar as transações e a conversão cambial instantânea via Pix.

O diferencial na infraestrutura

A escolha da tecnologia blockchain como espinha dorsal da plataforma sugere uma estratégia de eficiência operacional e redução de custos transacionais. Ao construir uma arquitetura que permite a conversão direta de reais para ativos internacionais, a Zeom tenta contornar as fricções comuns em transferências internacionais tradicionais, que frequentemente encarecem o acesso do pequeno investidor a mercados estrangeiros.

O uso de blockchain não é apenas um detalhe técnico, mas uma aposta na escalabilidade. A empresa pretende oferecer uma experiência de usuário simplificada, eliminando camadas de intermediários que habitualmente compõem o ecossistema de remessas e investimentos globais, entregando assim uma interface competitiva para o público que busca diversificação patrimonial.

O desafio da penetração de mercado

A estratégia de crescimento da Zeom enfrenta um cenário competitivo denso, marcado pela presença de players como Wise e Nomad, que já consolidaram suas bases de clientes no Brasil. A tese da startup, contudo, apoia-se em dados da ANBIMA que indicam uma concentração de investidores brasileiros em produtos de baixo risco, como poupança e renda fixa, deixando uma lacuna significativa para ativos de maior complexidade.

A meta de atingir 50 mil clientes até 2026 reflete uma ambição de nicho, focada em converter o investidor que ainda não diversificou seu patrimônio em moeda forte. A Fabric Ventures, ao apostar no negócio, sinaliza confiança na digitalização da população latino-americana e na demanda estrutural por ferramentas de proteção cambial.

Implicações para o investidor brasileiro

Para o consumidor final, a entrada de mais um player no segmento de contas globais tende a intensificar a competição por preços e funcionalidades. A pressão por menores taxas de câmbio e custos de manutenção é um subproduto natural da chegada de novos competidores, beneficiando o investidor que busca sair do ambiente doméstico para proteger seu poder de compra.

Contudo, a viabilidade de longo prazo dependerá da capacidade da Zeom em manter a conformidade regulatória e a segurança da custódia de ativos. A transição de uma fase de testes para uma operação em larga escala exigirá um equilíbrio constante entre a inovação tecnológica e as exigências de estabilidade do sistema financeiro brasileiro.

Perspectivas de crescimento

O sucesso da Zeom dependerá da sua capacidade de educar o investidor médio sobre a importância da diversificação internacional. A empresa precisará provar que sua infraestrutura é robusta o suficiente para lidar com o volume de transações esperado e com a volatilidade inerente aos ativos digitais e globais.

O mercado observará se a startup conseguirá se diferenciar através da experiência de usuário ou se será forçada a competir apenas por preço. A execução da meta de 50 mil clientes será o primeiro indicador real da aceitação do modelo proposto pelos fundadores Rafael Pereira, André Bastos, Bruno Maia e Roberto Ono Filho.

Com reportagem de Brazil Valley

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