Em vídeo publicado no canal Brazil Valley | Music em 27 de abril de 2026, a operação técnica da Fabric detalha a reformulação dos sistemas de som de duas de suas pistas. A transição, executada com a norueguesa NNNN Audio, ilustra a precisão exigida para sonorizar espaços arquitetonicamente complexos. Mais do que uma atualização de hardware, o projeto é enquadrado pelos executivos de áudio como resposta direta à virtualização do entretenimento. Ao focar na fisicalidade da pressão sonora em um ambiente desenhado para audição coletiva, o clube reforça a tese de que a experiência tátil permanece como contraponto necessário ao isolamento digital.

A arquitetura do som e a calibração espacial

A implementação na Sala 3 expõe os desafios de adaptar áudio de alta fidelidade a uma estrutura irregular. Matt Smith, chefe de som da Fabric, relata que a substituição dos equipamentos levou uma semana, mas o ajuste fino exigiu três meses. A dificuldade central residiu na arquitetura com arcos e no fato de a fonte principal de graves ficar fisicamente separada das caixas de frequências altas. Para preencher as lacunas sonoras, a equipe utilizou caixas full-range Gauge 30 e modelos coaxiais Gauge 60.

O destaque da engenharia é o Deva 23, primeiro produto da NNNN Audio. Baseado em décadas de iterações do CTO Rune, o subwoofer utiliza um design de buzina dobrada em configuração push-push, com o som circulando internamente em formato de "concha de caracol". Smith empilhou duas destas unidades nos arcos, criando uma pressão sonora que atinge o público da cabeça aos pés, enquanto os novos subwoofers cardioides chegam a vibrar o piso de concreto do clube.

Para contexto, a BrazilValley aponta que a adaptação de sistemas de alta potência em estruturas complexas frequentemente exige soluções híbridas, uma vez que a reverberação natural do espaço não pode ser totalmente corrigida apenas via equalização digital.

Engenharia dedicada e a tese da fisicalidade

Na Sala 2, a abordagem resultou em um sistema de seis pontos. A configuração adota caixas NNNN 1, que combinam uma buzina de graves de 21 polegadas com um sistema multi-cell, garantindo cobertura até o centro da pista. O arranjo forma uma ferradura com sete unidades, utilizando subwoofers Trend 25 com atraso de tempo (time delay) para que as frequências cheguem simultaneamente ao meio do ambiente.

O controle acústico exigiu intervenções físicas robustas. A equipe instalou quatro armadilhas de graves nos cantos e 22 armadilhas horizontais desenhadas internamente por Ben, da equipe da Fabric. Na cabine do DJ, monitores NNNN 8 foram instalados em talhas de corrente, permitindo que sejam içados durante apresentações ao vivo para melhorar o campo de visão.

A parceria nasceu de um pivô da NNNN Audio. Turkel, CEO da fabricante, explica que os fundadores desenvolveram sistemas de videoconferência antes de migrarem para o áudio de entretenimento. Segundo ele, à medida que as experiências se tornam virtuais e solitárias, surge uma reação em direção à fisicalidade. A música torna espaços como a Fabric arenas essenciais para o resgate da comunidade, onde o som atua como vetor de uma experiência compartilhada.

O redesenho acústico evidencia que, no entretenimento ao vivo, o hardware é o próprio definidor do produto. A transição de engenheiros focados em videoconferência para a criação de subwoofers capazes de vibrar o concreto de um clube sublinha uma tese clara: enquanto o consumo de mídia caminha para a fragmentação em fones de ouvido, espaços de audição coletiva dependem da força tátil e intransferível do som para manterem sua relevância comercial e cultural.

Fonte · Brazil Valley | Music