O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) confirmou que uma nova tarifa de 25% sobre importações brasileiras entrará em vigor na próxima quarta-feira, 22 de julho. A medida é o resultado de uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana, que aponta supostas práticas desleais por parte do Brasil.
A decisão marca uma escalada significativa na tensão comercial entre os dois países. O que chama a atenção, no entanto, é a amplitude das justificativas americanas, que vão do desmatamento ilegal ao sistema de pagamentos instantâneos Pix — um argumento que transforma uma notória inovação financeira brasileira em pretexto para uma barreira comercial.
Do desmatamento ao Pix
A lista de queixas apresentada pelo USTR é heterodoxa e sinaliza uma nova fronteira nos conflitos comerciais. Ao incluir o Pix na investigação, alegando que o sistema prejudica empresas americanas de cartão de crédito, o governo Trump expande o conceito de “prática desleal” para além de subsídios ou dumping. A leitura é que qualquer política doméstica bem-sucedida que crie uma desvantagem competitiva para empresas estrangeiras pode se tornar alvo.
Essa abordagem transforma inovações locais e políticas soberanas em potenciais passivos diplomáticos e comerciais. Para o ecossistema de tecnologia brasileiro, é um sinal de alerta: o sucesso de soluções como o Pix, celebrado domesticamente, pode ser instrumentalizado como arma em disputas geopolíticas. A medida se ampara em uma nova estratégia tarifária americana, inaugurada após a Suprema Corte do país derrubar o sistema anterior do governo.
Retaliação e o risco de escalada
O governo brasileiro reagiu de forma dura, repudiando a legitimidade da investigação e prometendo acionar os instrumentos da Lei de Reciprocidade, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo fontes do Planalto, mais de 30 contatos foram feitos para evitar o desfecho, que foi descrito como um “marco lastimável” nas relações bilaterais.
A retórica política também se acirrou, com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, culpando diretamente o presidente Lula. O cenário pode piorar: uma investigação paralela sobre trabalho forçado pode adicionar uma sobretaxa de 12,5%, elevando a tarifa total para 37,5%. Embora produtos importantes como carne bovina, café e aeronaves tenham sido isentos, setores como açúcar, maquinário e aço serão diretamente impactados.
A disputa, portanto, deixa de ser puramente técnica e se aprofunda no campo político. A resposta do Brasil, via OMC e reciprocidade, seguirá os ritos tradicionais, mas o catalisador do conflito — e suas justificativas idiossincráticas — sugere que as regras do jogo comercial estão sendo reescritas de forma unilateral.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times




